Lisboa, Londres, Paris e Copenhaga são algumas das cidades onde este sábado se realizaram manifestações para exigir mais generosidade no tratamento dos refugiados que têm chegado à Europa nos últimos meses, sem haver registo de confrontos.

Dezenas de milhares de pessoas realizaram algumas manifestações no Dia Europeu de Ação pelo Refugiado para defender o aumento da generosidade no acolhimentos dos 430 mil migrantes que, segundo a Orgnização Internacional para as Migrações, já chegaram à União Europeia desde o princípio do ano, não se registando confrontos nessas iniciativas, que em Lisboa tiveram também uma 'contra-manifestação' do Partido Nacional Renovador.

Em Lisboa, cerca de 200 pessoas juntaram-se no Marquês de Pombal para defender o acolhimento dos migrantes, percorrendo a Avenida da Liberdade até ao Terreiro do Paço, num cortejo acompanhado quer pelos apoiantes do PNR, quer pela polícia que tem separado os dois grupos.

Em Londres, dezenas de milhares de pessoas juntaram-se para exigir que o Governo conservador de David Cameron aumente a generosidade no acolhimento aos refugiados que procuram asilo na União Europeia, numa manifestação que contou com a presença do novo líder trabalhista, Jeremy Corbon.

Cameron anunciou recentemente a disponibilidade para acolher mais 20 mil refugiados nos próximos cinco anos, um valor que um dos manifestantes, citados no texto da agência AFP, considerou "patético".

Na Dinamarca, foram cerca de 30 mil as pessoas que se manifestaram, com mais várias centenas noutras cidades do país que está empenhado em reforçar as leis de imigração e onde nesta semana foi suspensa a ligação ferroviária para impedir a passagem dos refugiados.

Em França, o Governo, que se comprometeu a acolher 24 mil refugiados no próximo ano, anunciou também a criação de novos campos de alojamento, deixando a divulgação do número exato para um anúncio do primeiro-ministro, Manuel Valls.

Paris anunciou ainda um reforço da "contribuição" para as agências francesas das Nações Unidas envolvendo milhões de refugiados nos países vizinhos da Síria.

A Alemanha, que já acolheu 450 mil refugiados desde o início do ano, segundo a AFP, será esperada uma iniciativa à luz das velas, esta noite, em Berlim.

Munique, outra grande cidade alemã, recebeu hoje "pelo menos 10 mil refugiados" na estação ferroviária, segundo as autoridades municipais.

A chanceler alemã, Angela Merkel, enviou uma mensagem de apoio às mulheres refugiadas que vêm para a Alemanha, apelando a que tenham valor, aprendam a língua, não se isolem nos seus círculos familiares e aproveitem as oportunidades de acolhimento do país.

Merkel, que preside esta semana em Berlim a um fórum com mulheres de países industrializados e em desenvolvimento, confirmou também o seu compromisso para com as mulheres que têm vindo a ajudar a Alemanha e a superar o trauma das consequências da guerra que viveram.

Uma vez no país, é aconselhável primeiro aprender a língua para acelerar a integração e beneficiar do que os seus filhos aprendem nas creches e escolas.

Mais de 430 mil refugiados terão cruzado o Mediterrâneo desde janeiro, e mais de 2700 pessoas terão morrido ou desaparecido na travessia, segundo a OIM, que contabiliza ainda que metade das pessoas que entraram em espaço europeu estão a fugir dos bombardeamentos e atrocidades do regime do Estado Islâmico, num país onde mais de metade da população está desalojada no seguimento do início do conflito, em 2011.

Portugal vai receber 3.074 refugiados, no âmbito do processo de recolocação de mais de 120 mil pessoas por todos os Estados-membros, os primeiros dos quais poderão chegar já a partir de outubro.