Cerca de 300 pessoas concentraram-se hoje no centro do Porto numa manifestação de apoio ao Governo formado pela coligação PSD/CDS e de recusa a um acordo do PS com o PCP e o Bloco de Esquerda.

“Quisemos dar uma oportunidade às pessoas que se sentem indignadas e revoltadas de se poderem manifestar. Demonstrar que não é só a esquerda que pode vir para a rua dizer que ‘não’ quando não concorda com algo. Pretendemos que as forças políticas que têm pontos em comum se possam entender",  justificou a advogada Eugénia Brandão Gomes, uma das organizadoras da iniciativa.

"Mais vale termos um governo de gestão ou um de iniciativa presidencial do que ter três partidos [PS, PCP e BE] que vão lutar entre eles para tirar partido desta coligação anti-natura”


Pela manifestação, realizada na praça D. João I, passaram sons dos Rádio Macau, de Tony Carreira e Rui Reininho, bandeiras e cachecóis de Portugal, pelo menos duas bandeiras monárquicas e palavras de ordem como “O Norte volta as costas a um governo cozinhado”, “Cavaco, gestão, o Costa é que não”, “O povo já votou e o Costa não aceitou” ou “Votei em liberdade, quero responsabilidade”.

“Organizamos esta manifestação sem apoio de estruturas absolutamente nenhumas”, assegurou Eugénia Gomes, “militante de base do PSD” que deixou “de ter qualquer atividade política em 1982, quando morreu [Francisco] Sá Carneiro”.

Amândio de Azevedo, social-democrata que ocupou o cargo de ministro do Trabalho e Segurança Social no chamado governo do “Bloco Central” (resultante de um acordo de incidência parlamentar entre o PS e o PSD) esteve presente no protesto “como cidadão do Porto nascido em Chaves”, e não “como militante do PSD”.

Depois de revisitar as vantagens daquele governo, Amândio de Azevedo deixou “um apelo ao PS e a todos os seus militantes para abrirem um diálogo construtivo e sério com os partidos da coligação [PSD/CDS]”.