Mais de 700 bombeiros profissionais de todo o país manifestam-se esta quarta-feira, em Lisboa, para contestarem a falta de efetivos nas corporações e a «indiferença da classe política, em relação às reivindicações da classe».

Promovida pela Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP) e pelo Sindicato Nacional de Bombeiros Profissionais (SNBP), a manifestação tem início às 14:00, no Terreiro do Paço, junto ao Ministério da Administração Interna (MAI), e termina na secretaria de Estado da Administração Local, situada na Presidência do Conselho de Ministro.

Os bombeiros profissionais voltam aos protestos, depois de se terem manifestado em 2012 e de «nada ter sido feito», disse à agência Lusa o presidente da ANBP e SNBP, Fernando Curto, adiantando que continuam à espera de novas admissões e que seja publicada legislação referente ao setor, como a relativa a horários de trabalho, novas regras de aposentação e de progressão na carreira, assim como o reconhecimento de profissão de risco.

Fernando Curto explicou que, há mais de três anos, a secretaria de Estado da Administração Interna elaborou um projeto de decreto de lei que foi remetido para a secretaria de Estado da Administração Local, onde se encontra até agora, sem avanço.

O presidente da ANBP e SNBP sublinhou que as câmaras municipais estão «com um problema gravíssimo», uma vez que estão impedidas de fazer novas admissões para os bombeiros profissionais, pondo em causa «a segurança nas maiores cidades do país, onde há equipas abaixo dos mínimos, no que diz respeito às viaturas e ao socorro».

«As câmaras querem admitir bombeiros, mas o Governo impede-as, porque não podem fazer novas admissões», disse, acrescentando que faltam mais de cinco mil profissionais.

Como exemplo, referiu Lisboa, onde o quadro normal de bombeiros sapadores é de 1.112, mas onde atualmente se encontram pouco mais de 700.

«Queremos mostrar à população que há uma insegurança e que a responsabilidade não é dos bombeiros, nem das câmaras municipais. A responsabilidade é do Governo, da pessoa do secretário de Estado da Administração Local que nos têm ignorado.»


O protesto tem ainda a característica de «agradecimento» ao MAI, pelo trabalho produzido, estando, por isso, marcada uma reunião entre os dirigentes da ANBP e o secretário de Estado da Administração Interna, Joao Almeida, no início do protesto.

Fernando Curto disse que vai pedir ao secretário de Estado da Administração Interna que interceda junto da tutela da Administração Local, para que a legislação seja publicada.

No final da manifestação, os bombeiros profissionais vão entregar «simbolicamente», ao secretário de Estado da Administração Local, António Leitão Amaro, o projeto de decreto de lei preparado pelo MAI.

Em Portugal existem atualmente cerca de seis mil bombeiros profissionais, entre sapadores e municipais.