A Federação Nacional da Educação (FNE) promove na próxima semana concentrações de professores em várias cidades contra a prova de acesso à carreira docente que o Ministério da Educação decidiu aplicar.

As ações pretendem ser também momentos de esclarecimento à população para a situação destes professores, muitos deles com largos anos de serviço, apesar de não terem vínculo ao ministério.

A prova, agora designada de avaliação de conhecimentos e capacidades, está prevista na legislação desde a governação socialista de José Sócrates (2008), mas nunca chegou a ser aplicada, devido à forte oposição dos sindicatos.

Sob o lema «Todos Contra a Prova», a FNE marcou concentrações para Coimbra (segunda-feira), Lisboa (quarta-feira), Évora (quinta-feira) e Porto e Viana do Castelo (dia 30).

Nos locais de concentração será distribuído um manifesto contra uma prova que os professores consideram «inútil, ineficaz e que desrespeita o trabalho de milhares de docentes».

As iniciativas estão também a ser divulgadas nas redes sociais e contarão com a presença do secretário-geral da FNE, João Dias da Silva.

A Associação Nacional de Professores Contratados integra estes protestos.

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) anunciou na quarta-feira que vai requerer na justiça a suspensão do aviso do Instituto de Avaliação Educativa sobre a prova de acesso à carreira docente, por considerar que foi publicado de forma ilegal.

Para o ministério, a realização da prova representa «uma avaliação que dignifica a escola pública e a função docente». Para os professores é mais uma forma de os retirar do sistema.

Em comunicado divulgado esta semana, o ministério afirma que a prova se integra num conjunto de medidas que têm como objetivo a qualidade da docência.

«Entre essas medidas incluem-se condições mais rigorosas para o acesso aos cursos de formação de docentes de educação básica, nomeadamente com exigência de exames de ingresso nas escolas de formação de docentes a Português e a Matemática», lê-se no documento que a Lusa cita.