Os polícias voltam a manifestar-se, na quinta-feira, em Lisboa, mais de três meses depois do protesto que terminou com a invasão das escadarias da Assembleia da República e a demissão do diretor nacional da PSP.

Os cortes nos vencimentos estão na origem da manifestação, que se vai realizar entre o Marquês de Pombal e a Assembleia da República, na quinta-feira, num protesto promovido pela Comissão Coordenadora Permanente (CCP) dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança, estrutura que congrega os sindicatos mais representativos da GNR, PSP, ASAE, SEF, Guarda Prisional e Polícia Marítima.

A 21 de novembro de 2013 as forças de segurança já se tinham manifestado em frente da Assembleia da República também em protesto pelos cortes salariais.

Nesse dia acabaram por protagonizar momentos de tensão ao romper o cordão policial e subir as escadarias do edifício, só parando à porta.

Na sequência destes acontecimentos, o então diretor nacional da PSP superintendente Paulo Valente Gomes colocou o lugar à disposição, tendo o seu afastamento sido aceite pelo ministro da Administração Interna.

Três dias depois o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, dá posse ao novo diretor da PSP, superintendente Luís Farinha, que exercia funções de comandante da Unidade Especial de Polícia.

Na altura, Miguel Macedo classificou como «absolutamente inaceitáveis» os acontecimentos que motivaram a invasão da escadaria do parlamento durante a manifestação de polícias, garantido que «foi uma exceção que não voltará a repetir-se».

A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um processo de averiguações aos acontecimentos ocorridos na manifestação e a Procuradoria-Geral da República também abriu um inquérito, que se encontra em investigação e sob segredo de justiça.

Na altura, os promotores disseram que foi a maior manifestação de sempre.

Para quinta-feira, está prevista uma adesão superior ao protesto de 21 de novembro de 2013 devido «à revolta e descontentamento» dos profissionais das forças de segurança, segundo o secretário nacional da CCP, Paulo Rodrigues.

Também os sindicatos da PSP e associação da GNR que não fazem parte da CCP vão participar no protesto de quinta-feira, tendo sido decidida a adesão após uma ronda de três reuniões com o ministro da Administração Interna, que terminaram com um aumento em 25 euros mensais do subsídio de fardamento.

Os sindicatos da PSP e associações da GNR saíram desiludidos das reuniões com Miguel Macedo, considerando insuficiente a aumento do subsídio de fardamento.