Mais de 500 pessoas fizeram esta terça-feira um cordão humano na estação de metro da Trindade, no Porto, para contestar o processo de concessão por ajuste direto dos transportes públicos locais, enquanto pediam a demissão do atual Governo.

De mãos dadas, os aderentes à iniciativa – incluindo representantes de trabalhadores da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) e da Metro, dirigentes sindicais ou políticos - assinalaram que os preços iam aumentar e a oferta dos serviços diminuiria.

Entre os presentes ia-se ouvindo, através de megafones, palavras de ordem como “não e não à privatização”, “a luta continua, Governo para a rua já” ou “transportes privatizados, utentes lesados”.

A 14 de agosto, o Ministério da Economia confirmou que o consórcio espanhol TCC não entregou a garantia bancária necessária para assumir a operação da STCP, o que fez cair a subconcessão daquela empresa e a da Metro do Porto por 10 anos.

Na semana passada, o Governo confirmou o novo lançamento do concurso de subconcessão da STCP e da Metro do Porto, que será concluído por ajuste direto, decisão justificada “pelo interesse público”.

O porta-voz do movimento de cidadãos "Contra a privatização dos transportes do Porto”, responsável pela organização da iniciativa, defendeu, em declarações à Lusa, que a concessão por ajuste direto da STCP e Metro do Porto tem de ser anulada. Na sua opinião, o Governo foi “muito incorreto” porque lançou este processo de concessão em período de férias e fim de mandato.

“Este processo vai prejudicar, e muito, os utentes dos transportes públicos”, referiu Gonçalo Vaz de Carvalho.


Gonçalo Vaz de Carvalho avançou que está a decorrer ‘online’ uma petição pública precisamente contra o processo de subconcessão que, depois, será entregue ao Ministério da Economia e à Secretaria de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações.

Pedindo “bom senso” ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e ao vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, o coordenador da Comissão de Trabalhadores da STCP, Pedro Silva, disse que o processo está a ditar o “colapso total” da empresa, detida na totalidade pelo Estado.

Apontando a falta de efetivos como o principal problema, o representante dos trabalhadores lembrou que, atualmente, 30% dos serviços não se efetuam.

“Quando o horário de inverno entrar em vigor, mais de 50% dos serviços não serão feitos porque os novos motoristas contratados ainda estarão em formação.”


Se não houver alterações, Pedro Silva garantiu novas formas de luta porque, declarou, “é o interesse público que está em causa”.

Por seu lado, o coordenador da direção regional do Porto do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Setor Ferroviário (SNTSF) classificou de “erro histórico” a concessão da STCP e Metro.

“Não há aqui nenhum benefício para os trabalhadores e para os utentes”, frisou Paulo Milheiro.


Segundo o sindicalista, o Governo está “obcecado pelas privatizações”.

“A decisão do atual Governo de concessionar a Metro e a STCP com a máxima urgência é bem demonstrativa da sua ânsia de privatizar tudo o que diz respeito a serviços públicos essenciais, custe o que custar”, salientou a dirigente do Grupo de Utentes de Transportes Públicos de Passageiros do Porto.

Sara Santos acredita que a concessão tornará o serviço menos eficiente, menos inclusivo e menos inovador.