Os manifestantes que exigem em Lisboa o dinheiro investido em papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES) nos balcões do Banco Espírito Santo (BES) derrubaram, este sábado, a proteção metálica, o que obrigou a polícia a fazer um cordão de segurança.

Pelas 12:00, os ânimos exaltaram-se entre as dezenas de clientes que subscreveram papel comercial do GES em protesto, em frente ao Centro de Congressos de Lisboa, na Junqueira, onde decorreu um encontro de quadros do Banco de Portugal (BdP). Os clientes lesados querem chamar à atenção para as perdas que sofreram com o investimento feito no papel comercial do GES e exigem o dinheiro investido.

Os manifestantes derrubaram as grades de ferro que isolavam o parque de estacionamento, onde se manifestam, e os impediam de chegar ao Centro de Congressos de Lisboa, o que levou a PSP a fazer um cordão de segurança e a reforçar a presença no local.

O protesto estava marcado para as 11:30, mas os manifestantes começaram a chegar mais cedo, empunhando cartazes com frases como «E agora como explico ao meu filho que deve poupar?», «A Presidência da República defende os gatunos do sistema financeiro, quem defende os portugueses?» e «Carlos Costa, amigo de Salgado».

Pelas 13:00, várias carrinhas da Equipa de Intervenção Rápida da PSP reforçaram o dispositivo de segurança afeto à manifestação, uma chegada que foi assinalada com aplausos pelos manifestantes.

«Os gatunos estão do lado de lá [no Centro de Congressos de Lisboa] e a polícia está a fazer o cerco a quem foi roubado”, afirmou à Lusa Carlos Peixoto, um dos lesados do BES, referindo-se à participação do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, num seminário sobre regulação e supervisão financeira que estaria a decorrer na Antiga FIL.

As associações de lesados fizeram, nas últimas semanas, protestos em várias cidades do país, como Braga, Leiria, Viseu, a exigirem soluções para estes clientes.

Relativamente aos três mil clientes lesados pelo papel comercial das empresas não financeiras do Grupo Espírito Santo, a 3 de março, o presidente do Novo Banco, Stock da Cunha, fez questão de sublinhar que não é uma dívida da instituição financeira, mas sim de entidades externas, sendo que só o Banco de Portugal pode resolver a questão.

A 3 de agosto de 2014, o Banco de Portugal tomou o controlo do BES, após a apresentação de prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros, e anunciou a separação da instituição em duas entidades: o chamado banco mau (um veículo que mantém o nome BES e que concentra os ativos e passivos tóxicos do BES, assim como os acionistas) e o banco de transição que foi designado.