Cerca de duas mil pessoas concentraram-se na Praça da Batalha, no Porto, de acordo com João Vilela, da organização da manifestação «Que se Lixe a Troika», para quem «menos pessoas não significa menos gente descontente».

João Vilela, um dos organizadores do protesto no Porto, admitiu estarem concentradas na Praça da Batalha menos pessoas do que em manifestações anteriores, mas salientou que este evento «não teve grande divulgação na comunicação social».

«Menos pessoas não significa menos gente descontente, basta andar na rua», frisou.

Em declarações à Lusa, Isabel Carvalho, bancária, de 56 anos, espantava-se com a menor participação popular nesta manifestação, dizendo sentir «uma indignação inexplicável».

O descontentamento de Isabel Carvalho devia-se, em parte, ao facto de «as pessoas estarem tão cansadas que já não têm mais forças para protestar».

Apesar da crise, esta manifestante reconhecia que por ter emprego ainda não precisou de fazer grandes ajustes na gestão do seu quotidiano, mas, vincou: «neste momento luto mais pelos outros do que por mim», reporta a Lusa.

Manifestantes no Porto contrariam ordem da polícia no trajeto do desfile

Os participantes na manifestação convocada pelo movimento «Que se lixe a troika» no Porto, contrariaram hoje as ordens da polícia em relação ao percurso previsto para o desfile, mas não se registaram incidentes.

No final da rua 31 de Janeiro, a PSP encaminhava os manifestantes em direção a Praça da Liberdade, mas as pessoas decidiram prosseguir pela Rua Sá da Bandeira, gritando «a rua é do povo».

O desfile começou na Praça da Batalha, pelas 15:45, seguindo pela Rua 31 de Janeiro, onde se ouviu uma explosão que algumas pessoas identificaram como sendo um petardo, facto que foi desmentido por uma fonte policial.

¿Demissão, demissão¿, ¿Está na hora do Governo e a Troika irem embora¿ e ¿Contra a exploração queremos demissão¿, são algumas das palavras de ordem ouvidas no protesto.

A manifestação do movimento «Que se lixe a troika» decorre em 14 cidades portuguesas com o objetivo de protestar contra as políticas de austeridade do Governo. As ações decorrem em Aveiro, Braga, Beja, Coimbra, Faro, Portimão, Funchal, Horta, Lisboa, Portimão, Setúbal, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu.