Milhares de pessoas voltaram, este domingo, aos protestos, desta vez na cidade do Porto, contra o fim dos contratos de associação nas escolas privadas.

Sob o mote “Contas à moda do Porto”, este protesto teve início pelas 11:30, com uma concentração dos participantes na avenida 25 de abril, zona de Campanhã, de onde saíram em marcha até à avenida dos Aliados, num percurso de cerca de cinco quilómetros.

s manifestantes organizaram um logótipo humano a representar o número 25.000, verba “que é poupada ao Estado por turma”, afirmou à Lusa, Manuel Bento, do núcleo agregador Defesa da Escola Ponto, que junta alunos, professores e funcionários dos colégios privados e cooperativos com contratos de associação.

Manuel Bento referiu que “mais do que uma manifestação”, esta ação é uma festa da escola.

Luís Marinho afirmou que esta manifestação teve como objetivo mostrar “as contas certas” em relação aos contratos de associação, acrescentando que cada turma poupa 25 mil euros ao Estado, rejeitando a ideia de “duplicação de custos”.

“São contas certas, contas honradas, de gente séria, e não é a nossa opinião, é ir ao Orçamento do Estado”, frisou, acrescentando que pais, professores e funcionários de escolas com contrato de associação não podem “permitir” e “aceitar um debate baseado na mentira”.

"Não vai haver ninguém a ir para as escolas que o Estado quer"

O movimento Defesa da Escola Ponto previu hoje um início do próximo ano letivo “atribulado à conta da irresponsabilidade de um ministro e da uma secretária de Estado da Educação”, que decidiram acabar com contratos de associação.

Vai ser um mês de setembro atribulado à conta da irresponsabilidade de um ministro e de uma secretária de Estado da Educação, que são manipulados por Mário Nogueira [secretário-geral da Federação Nacional dos Professores]”, afirmou, no Porto, Luís Marinho, representante os pais dos alunos de escolas privadas com contrato de associação, no âmbito de um protesto que juntou milhares de pessoas.

Perante os milhares de manifestantes, o responsável destacou que “o futuro é o que interessa” e que, “em setembro, não vai haver ninguém a ir para as escolas que o Estado” quer impor.

Também Manuel Bento, do Núcleo Agregador Defesa da Escola, disse à Lusa que o principal objetivo desta manifestação é mostrar que os colégios com contrato de associação são “um bom negócio para o Estado”, porque permitem poupar “10 milhões ao erário público” com as turmas que o Estado quer fechar no próximo ano letivo e que o movimento defende que se mantenham.

Nós não estamos contra ninguém, nós somos pela escola, quer seja pública quer seja privada”, respondeu quando questionado se a concentração de hoje era uma resposta à manifestação organizada no sábado, em Lisboa, pela Fenprof, recordando que esta concentração estava já marcada quando foi anunciada a da capital.

No final, no seu discurso, também Manuel Bento não poupou críticas ao Governo socialista, em especial ao ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, e à secretária de Estado da Educação, Alexandra Leitão, acusando-o de se ter colado “a uma esquerda radical”.

Não vamos desistir, podem contar connosco para uma luta que vai conduzir certamente à nossa vitória”, disse, “a secretária de Estado não tem noção onde se meteu”.

Segundo Manuel Bento, não “há dúvidas de que o Governo se precipitou” ao decidir acabar com contratos de associação em centenas de turmas de colégios privados, que estão agora “a servir de moeda de troca para qualquer coisa”.