Centenas de pessoas estavam pelas 16:30 junto ao ministério das Finanças, em Lisboa, num protesto dos trabalhadores da administração central reclamando a reposição das 35 horas semanais de trabalho.

A manifestação - convocada pela Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública - partiu cerca das 15:15 do Príncipe Real, passou pelo Tribunal Constitucional, e rumou posteriormente para o Terreiro do Paço, onde se situa o ministério tutelado pela ministra Maria Luís Albuquerque.

Aí, os trabalhadores fizeram chegar uma resolução ao secretário de Estado da Administração Pública, José Leite Martins.

«O aumento do horário de trabalho para as 40 horas vem retirar um direito que estava consagrado há 20 anos e consagrado por muita luta que se fez», comentou à agência Lusa a coordenadora da Frente Comum, Ana Avoila, que esteve sempre na linha da frente do protesto.

A meio do caminho até ao ministério das Finanças juntou-se o secretário-geral da central sindical CGTP, Arménio Carlos, e durante todo o percurso foram entoadas diversas palavras de ordem e os manifestantes empunhavam bandeiras e, também, chapéus-de-chuva, em virtude da precipitação que se fez sentir durante boa parte do trajeto.

Arménio Carlos sublinhou à Lusa a «firme disposição» da CGTP em «fazer tudo» o que estiver ao seu alcance para exigir do Governo o desbloquear do processo de contratação coletiva e para que aceite os acordos estabelecidos «assim como a aplicação das 35 horas para todos os trabalhadores da administração pública».

«Não há razão nenhuma, e hoje está provado, que o aumento do horário de trabalho tenha melhorado os serviços públicos em Portugal, pelo contrário», sustentou o responsável da CGTP.

A nível partidário, estiveram presentes na manifestação comitivas do Partido Comunista Português (PCP) e do Bloco de Esquerda (BE).

António Filipe, deputado do PCP, definiu a luta de hoje como «justíssima» e criticou o «retrocesso social» que o executivo liderado por Pedro Passos Coelho desenvolveu nesta área.

«Os trabalhadores da administração pública estão entre os trabalhadores mais agredidos pelo atual Governo», advogou, referindo-se a processos de requalificação e cortes salariais, por exemplo.

Já Pedro Filipe Soares, líder parlamentar do BE, mostrou-se também solidário para com uma luta «justa» dos trabalhadores.

E acrescentou: «O Governo quis atacar o salário aumentando o número de horas semanais e não pagando mais por isso. Não há uma melhoria dos serviços públicos, o que há é uma vontade de atacar os trabalhadores».

Os trabalhadores em protesto exigem do Governo «a reposição das 35 horas semanais de trabalho, conquistadas em 2000, depois de 25 anos de luta».

A Frente Comum marcou na quarta-feira uma greve para 13 de março.