Mais de 200 pessoas, no Porto, pediram esta quinta-feira a demissão do primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, durante uma manifestação de solidariedade para com a Catalunha, na qual o chefe do Governo de Madrid foi apontado como o “culpado” pela escalada de tensão no país.

Andreia Peniche, uma das organizadoras do evento, explicou à Lusa que quis demonstrar “solidariedade com o povo catalão e repúdio por tudo o que Estado espanhol tem feito”, numa data – dia da implantação da República em Portugal – escolhida devido ao seu simbolismo, acrescentando que vê com “muita preocupação” o futuro do tema.

Tanto Rajoy, como o rei de Espanha, foram incendiários neste processo. Travaram qualquer ponte de diálogo possível. Portanto aquilo a que assistimos hoje na Catalunha, não sabemos como vai acabar. Mas uma coisa é certa, desde o domingo passado nada ficou igual em Espanha e também na Europa”, considerou.

De bandeira da região aos ombros, a catalã Mireia Pagá sumarizava a situação aos jornalistas, garantindo que os catalães “só querem paz e que se ouçam as pessoas que estão a votar”, visto que já não se sentem “representados pelo Governo espanhol”.

“Declarar [a independência unilateral] vai provocar muitas controvérsias e conflitos em Espanha. Acho que temos de nos defendermos e estarmos mais unidos que nunca, porque está a afetar não só os catalães, mas também os espanhóis. Em qualquer momento pode haver um outro referendo sobre qualquer coisa e responderem da mesma forma que fizeram na Catalunha, não pode acontecer”, afirmou.

Numa manifestação com espanhóis de várias regiões, a galega Helena Rodriguez admitiu que preferia o país “unido”, mas veio prestar “apoio ao povo, não à independência”, acusando Rajoy de ser culpado dos “males maiores” que se poderiam ter evitado se os responsáveis políticos “já tivessem dialogado há muito tempo”.

Não sou independentista, nem pela Galiza, mas quero que se respeitem e ouçam os cidadãos, e que não os ataquem desta maneira”, afirmou.

Também o galego Lucas, residente na cidade portuense “há um par de anos”, argumentou que “já não é uma questão de ideias, mas uma questão de direitos humanos”, e que os atos violentos que decorreram no passado domingo, durante a realização do referendo, criaram uma “opinião internacional de que a Espanha não se recuperou totalmente do Franquismo”.

Independentemente de conseguirem a declaração unilateral de independência – o que no estado atual político é difícil – ignorar esta demanda vai criar um mal-estar social que pode resultar numa escalada de violência – que já começou. Independentemente de se achar boa ou má ideia, a pior das ideias é ignorar que é um problema real e que tem de ser abordado”, referiu.

Ana Olcina, estudante de Erasmus oriunda de Valência, participou na manifestação por achar “opressiva e violenta a resposta do Estado espanhol à vontade do povo catalão”, e por “sentir” ser a sua terra e a sua gente que “estão a agredir”, por isso quis fazer algo “mesmo estando longe”.