A União dos Sindicatos do Porto (USP) revelou esta quinta-feira que as autoridades não colocaram entraves à passagem a pé, na ponte do Infante, dos «20 a 30 mil» manifestantes esperados na cidade no protesto da CGTP marcado para sábado.

«Não houve nenhum obstáculo a esta manifestação por ser em cima de uma ponte. Tivemos todo o apoio da polícia [na organização]», assegurou João Torres, da direção da União dos Sindicatos do Porto, em conferência de imprensa.

Convicto de que o número de manifestantes «não será inferior a 20 ou 30 mil pessoas», o responsável comentava assim as questões de segurança levantadas em Lisboa sobre a marcha na ponte 25 de Abril, que levaram na quarta-feira a CGTP a substituir a iniciativa por um protesto «sonoro» e uma concentração em Alcântara.

«Pelos vistos esta [ponte] será mais resistente», ironizou João Torres, explicando que a intenção do protesto é expressar a «revolta e a indignação» dos trabalhadores e o «clamor, que aumentou consideravelmente depois da apresentação do Orçamento do Estado para 2014».

É por isso que, apesar do mau tempo previsto, o responsável sindical espera ter «muita gente» na marcha, acrescentando «nem que chovam picaretas».

De Aveiro, Braga, Bragança, Viana do Castelo e Vila Real são esperados «mais de cem autocarros», o que equivale a cerca de cinco mil pessoas, mas contando com os trabalhadores do distrito do Porto e dos concelhos vizinhos, a USP está «convicta de que a manifestação do Porto não será inferior a 20 a 30 mil pessoas».

«Tudo isto [as novas medidas de austeridade anunciadas] dará força à ideia de que vamos ter uma grande marcha e à luta que temos de travar para derrotar este Governo, porque mais um dia com ele é um dia de inferno para as famílias».

A direção da USP explicou que está prevista a participação de todos os sindicatos afetos à CGTP, de outros que não estão ligados à central sindical, mas também de «trabalhadores não sindicalizados».

Admitindo que a chuva prevista para sábado pode ser «uma condicionante» à participação no protesto, João Torres alerta que ¿todo o drama gerado em torno da manifestação na ponte 25 de Abril pode ter criado algum clima de medo na participação¿, mas sublinha que no Porto «as autoridades não colocaram nenhum obstáculo».

No Porto, a caminhada «de 3,5 quilómetros» começa pelas 15:00 na Avenida D. João I, na serra do Pilar, em Gaia, e deve terminar cerca das 17:30 na Avenida dos Aliados, no Porto, com um «comício sindical».

Entre estes dois pontos, os manifestantes vão atravessar a pé a ponte do Infante, seguindo pela rua das Fontainhas, Jardim de S. Lázaro, Duque de Loulé, Praça da Batalha, rua de Santa Catarina, Passos Manuel e praça D. João I.

A CGTP revelou na quarta-feira esperar milhares de pessoas para a concentração de sábado, em Alcântara, afirmando que os veículos que atravessarem a Ponte 25 de Abril farão um protesto sonoro em cima do tabuleiro.

«Está prevista a chegada de um número significativo de autocarros e de pessoas que não deixarão de se manifestar, de forma vibrante e entusiástica», disse à Lusa o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos.

As afirmações foram feitas depois da central sindical ter cancelado a marcha marcada para sábado na Ponte 25 de Abril, um dia depois de o ministério da Administração Interna ter proibido a realização da manifestação de 19 de outubro, por razões de segurança, disse hoje à Lusa fonte do gabinete de Miguel Macedo.