A Fenprof endurece na terça-feira a ação sindical perante um Governo que começou por elogiar, com uma manifestação nacional em que vai exibir uma faixa com mais de 550 metros entre o Ministério da Educação e São Bento, em Lisboa. É apenas "a primeira de várias ações", segundo o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira.

A concentração tem início às 15:00, junto ao Ministério da Educação, em Lisboa, seguindo depois para São Bento. A faixa dá "rosto" às várias reivindicações dos docentes: conta com mais de mil fotografias de professores a segurarem um papel, onde está inscrita uma reivindicação específica.

Nessas fotografias, pode ler-se "Gestão democrática para as escolas", "Horários adequados e menos alunos por turma", "Direito à progressão", "Nem reuniões, nem papéis" ou "Contratados não são descartáveis", entre outras reivindicações.

A iniciativa marca uma mudança de atitude na contestação ao Governo, até agora feita com ações de menor visibilidade, como a entrega de petições e pequenas concentrações.

Greve no terceiro período?

O objetivo é reivindicar a resolução de problemas dos docentes, disse à Lusa Mário Nogueira, que admite mesmo convocar uma greve.

Indicou ainda que será realizado no 3.º período do ano letivo um debate "de forma mais organizada" com os docentes, estando em cima da mesa a possibilidade do "recurso à greve e a uma grande manifestação".

A Fenprof exige ao Governo um compromisso em relação a matérias como a regularização dos horários de trabalho e das aposentações, a garantia do descongelamento das carreiras dos professores em 2018 e a criação de novos momentos de vinculação extraordinária de docentes nos próximos dois anos.

A federação sindical pretende ainda combater a municipalização do ensino e garantir uma gestão das escolas mais democrática, frisou.

Propusemos que nos sentássemos e que o compromisso integrasse e considerasse o faseamento na resolução de alguns problemas, que são complexos e têm custos".

Mário Nogueira frisa ainda que o que não pode acontecer "é não haver resposta e os problemas não terem uma solução à vista".

A última reunião com o Governo

O secretário-geral da Fenprof afirmou que o ministro da Educação, na reunião de 5 de abril, disse que as reivindicações dos professores "ultrapassavam a competência exclusiva do ministério" e que a solução "dependerá do Governo na sua globalidade".

Face a essa resposta, a federação sindical decidiu fazer a concentração no Ministério da Educação, mas depois passar também pela residência oficial do primeiro-ministro, a quem já foi pedida uma reunião para o próprio dia.

Dessa forma, os professores vão envergar a faixa de 550 metros entre o Ministério da Educação e São Bento, passando também pela Assembleia da República durante o "desfile".

De acordo com Mário Nogueira, o primeiro ano do executivo socialista, apoiado pela esquerda parlamentar, foi "um ano de sinais importantíssimos", em que o Governo tomou medidas que acabaram com "algumas zonas de conflito".

Essas primeiras medidas "eram de limpeza de conflito, mas sem grande custo. Quando começou a ser exigido outro tipo de investimento, as coisas aí começam a parar", notou o dirigente sindical, considerando que a expectativa inicial "está a começar a ficar frustrada" e a "indignação começa a surgir nas pessoas".

A Fenprof espera ter entre 1.500 a 2.000 professores na concentração e desfile marcados para terça-feira.