Atualizada às 20:10

A polícia travou esta sexta-feira sindicalistas da Frente Comum que tentaram entrar no Ministério das Finanças para exigir uma reunião. Cerca de 300 manifestantes desfilaram até à porta de Maria Luís Albuquerque, para negociar com o Governo aumentos de 3,7% em 2015, com a garantia de pelo menos 50 euros por cada trabalhador.

O cordão policial de cerca de duas dezenas e meia de agentes da polícia formou um semicírculo no local, para evitar que dirigentes e ativistas da Frente Comum entrassem na receção, uma vez que tentaram avançar o mais possível em direção ao ministério e ultrapassaram a área que lhes tinha sido atribuída para a concentração, mas sem quaisquer incidentes.

Para a coordenadora da Frente Comum, Ana Avoila, esta reação das autoridades «não faz sentido, parece que vivemos num Estado policial. Vivemos numa democracia».

O cordão policial ficou mesmo a escassos centímetros de distância dos manifestantes. «Não sei do que têm medo. Isto não faz sentido nenhum», repetiu a sindicalista, acrescentando que «os trabalhadores da administração pública têm sido muito mal tratados, mas têm respondido da forma que todos conhecem».

A delegação sindical acabou por conseguir entregar o documento reivindicativo no ministério, mas não obteve de imediato a marcação da reunião ambicionada. A Frente Comum vai agora formalizar o pedido por escrito, porque «não abdica de uma negociação séria» com o Governo antes da discussão do Orçamento do Estado para 2015.

«É o pontapé de saída para a intensificação da luta, após o período de férias», tinha dito antes, a caminho do Terreiro do Paço, Ana Avoila, da coordenadora da Frente Comum.

A decisão de desfilar pelas ruas de Lisboa surgiu depois de um plenário nacional da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, realizado na casa do Alentejo, na capital.

O plenário ficou marcado pelos pedidos de demissão do Governo e pela defesa da necessidade de intensificação da luta. Na reunião dos sindicalistas, ficou ainda assumido o compromisso de se realizarem plenários nos locais de trabalho até ao final deste mês, altura em que será decidida «uma grande ação nacional de luta na administração pública, que poderá coincidir com uma ação geral da CGTP, no final de outubro ou primeira quinzena de novembro».

As palavras de ordem «Trabalho sim, despedimentos não» e «Não e não ao roubo dos salários» ecoam pela baixa de Lisboa. A proposta reivindicativa, que exige aumentos salariais de 3,7% para o próximo ano, com a garantia de pelo menos 50 euros por trabalhador, e a reposição dos valores cortados aos salários e pensões.

A estrutura sindical afeta à CGTP pretende que a reposição dos salários e pensões nos valores anteriores a 2011 seja feita antes do final da atual legislatura.

A Frente Comum defende também a atualização do subsídio de refeição para 6,50 euros e a atualização das restantes matérias pecuniárias em 3,7%.

A proposta reivindicativa para 2015 aprovada pelos sindicatos da Frente Comum prevê ainda o descongelamento das posições remuneratórias e o reposicionamento nos escalões da carreira correspondentes aos anos de serviço.

A estrutura sindical reivindica também a reposição do valor anteriormente pago pelo trabalho extraordinário, nomeadamente um acréscimo de 100% pelo trabalho em dia feriado.

A reintegração dos trabalhadores em mobilidade especial (requalificação), o fim do encerramento e privatização dos serviços públicos, a resolução imediata das situações de precariedade e a reposição do horário semanal de 35 horas são outras das reivindicações que integram a proposta de mais de 20 páginas da Frente Comum.

A Frente Comum defende ainda a reposição da aposentação aos 60 anos de idade, com 36 de serviço, sem penalizações.