Dois anos após a indignação dos médicos ter coberto de branco a rua do Ministério da Saúde, os profissionais que aderem à greve prometem encher o mesmo espaço com batas brancas e querem a população do seu lado.

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM), que convocou o protesto para terça e quarta-feira, acredita que a greve terá uma grande adesão, na dimensão da «indignação» destes profissionais de saúde contra medidas do Governo que, acredita, estão a destruir o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O protesto conta com o apoio da Ordem dos Médicos, mas, ao contrário da greve de há dois anos, não terá a participação do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) que, no dia em que foi anunciada esta forma de luta, explicou que à mesma não aderia.

Na altura, o secretário-geral do SIM disse que o sindicato não participaria na greve, pois «não desiste de dialogar e negociar com o Ministério da Saúde, porque entende que esse é o caminho que melhor defende e serve os interesses dos médicos seus associados».

Em relação à Ordem dos Médicos, esta considera que «o Ministério já não pode continuar a esconder a dramática verdade do Serviço Nacional de Saúde [SNS], conforme demonstram as denúncias apresentadas nas conferências de imprensa da Ordem, as notícias transmitidas pelo comunicação social, a violenta ameaça de demissão do Hospital de São João, as denúncias de outros hospitais e o panorama terrível traçado pelo Observatório Português dos Sistema de Saúde».

A Ordem, que solicitou aos doentes para não recorrerem aos serviços de saúde públicos durante a greve, para não perderem tempo e dinheiro, gostaria de ver a população juntar-se à concentração que irá realizar-se na terça-feira, primeiro dia da greve, em frente ao Ministério da Saúde, em Lisboa.

Os doentes são, aliás, os que sentem diariamente os constrangimentos do setor, como recorda a Ordem: «Quando vão às urgências e aguardam horas, quando esperam pelas cirurgias e consultas, quando a limpeza falha, quando faltam medicamentos e material clínico nos hospitais, quando os aparelhos não são reparados, quando os médicos não podem pedir os exames de diagnóstico que acham necessários, quando não têm acesso aos novos medicamentos que os podiam curar, quando não têm dinheiro para pagar os transportes, etc., etc., etc.».

Alguns destes doentes já responderam ao apelo, como a associação SOS Hepatites, que já anunciou a presença na concentração.

A associação vai participar na iniciativa, «porque a saúde deve continuar a ser de todos!».

A greve acolhe igualmente o apoio de diversas associações de profissionais de saúde, como a Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar (USF-AN), que «não pode deixar de estar solidária com os portugueses, que necessitam cada vez mais de um SNS de proximidade e qualidade, e que exprimem crescentes dificuldades em manterem um nível de vida digno».

Para esta associação, o apoio à greve é «uma forma de defesa da saúde e da qualidade dos cuidados prestados aos portugueses».

Também a Associação Portuguesa de Empresas de Segurança e Saúde no Trabalho (APEMT) anunciou que estará presente na concentração em frente ao Ministério da Saúde, «porque o mesmo objetivo nos une».

Igualmente do lado da greve, está a Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública.

Para o Ministério da Saúde, a greve apenas tem «motivos políticos», uma vez que «as reivindicações foram atendidas».

O ministro da Saúde, Paulo Macedo, considera que a paralisação «não tem motivos laborais concretos», mas antes «um conjunto de razões difusas, de ordem política».