Foi o segundo momento de grande tensão no protesto dos taxistas em Lisboa que está a marcar esta segunda-feira. Os manifestantes, que estão contra a regulamentação da atividade de plataformas de transporte como a Uber e a Cabify, envolveram-se em confrontos com a polícia na Rotunda do Relógio, perto do aeroporto, um dos pontos mais críticos do protesto. A PSP efetuou, até ao momento, três detenções.

Eram cerca das 11:00 quando, na Rotunda do Relógio, os taxistas abandonaram as suas viaturas e interromperam a circulação na única via de acesso ao aeroporto. A polícia teve de intervir e foi aí que se deram os confrontos.

A equipa de reportagem da TVI testemunhou o ambiente de enorme tensão entre os manifestantes e os agentes da PSP que se encontravam no local e as imagens captadas em direto mostraram toda a confusão: insultos, empurrões, arremesso de objetos e até o rebentamento de petardos. 

A PSP já efetuou três detenções. Dois indivíduos foram detidos na sequência destes confrontos, como confirmou a polícia à TVI. O comissário Sérgio Soares esclareceu que uma detenção deveu-se a "resistência e coação e por ter havido danos numa viatura policial" e outra ocorreu por "deflagração e arremesso de artefacto pirotécnicos contra os elementos policiais".

Houve ainda uma terceira detenção no aeroporto, junto à zona das partidas.

A Rotunda do Relógio transformou-se no centro do protesto dos taxistas, que prometeram não arredar pé do local até que algum governante "resolva o problema". Com sacos-cama nas viaturas, estão dispostos a "acampar" vários dias neste zona até que a situação seja resolvida. 

O presidente da ANTRAL, Florêncio Almeida, confirmou que o protesto se vai manter nesta zona junto ao aeroporto e que, ao contrário do que estava inicialmente previsto, já não seguirá para a Assembleia da República.

Entretanto, dirigentes da ANTRAL e da Federação Portuguesa do Táxi estiveram reunidos com o Governo no Ministério do Ambiente. Um encontro que terminou por volta das 15:30.

Antes dos incidentes na Rotunda do Relógio houve um primeiro momento de grande tensão neste protesto, que envolveu  taxistas e 'uberistas'. Os taxistas tentaram impedir motoristas da Uber de levarem clientes da zona do aeroporto, perto de um posto de abastecimento de combustível, que encerrou as portas com receio dos confrontos. Os motoristas da Uber ficaram fechados precisamente neste posto, perante os olhares e as palavras dos manifestantes.

"Filhos da p****" foi uma das expressões que mais se ouviu. Uma expressão que o próprio presidente da Federação Portuguesa do Táxi, Carlos Ramos, fez questão de citar aos jornalistas como tendo sido um dos insultos ouvidos e alegadamente saídos da boca de motoristas da Uber.

E a polícia não intervém? Estão ali no gozo, em ostentação pura. Estou convencido que isto vai dar... agora ia dizendo aqui uma asneira. Puseram-se todos ali a chamar filhos da p**** aos taxistas"

Os repórteres da TVI24 presenciaram motoristas da Uber a fazer sinal aos turistas para entrarem nos carros da empresa diante da manifestação.

muitos polícias no local, mas já foram enviados reforços. Os ânimos exaltaram-se três horas depois do início do protesto. Houve quem dissesse: "Olha que isto é o que a comunicação social quer".

Vários taxistas dizem que com o primeiro-ministro a situação não vai ficar resolvida - António Costa ainda hoje recusou limitar o número de operadores como a Uber - e pedem a intervenção do Presidente da República. 

Cerca de seis mil táxis de todo o país são esperados pela organização, que começou às 07:00 com uma concentração no Parque das Nações.

A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, disse, todavia, que a manifestação "está longe de alcançar" a dimensão prevista. Em declarações à Lusa, a governante sublinhou que a "segurança dos lisboetas está garantida".

A paralisação está a afetar a deslocação dos turistas que chegam a Lisboa para o centro da cidade, obrigando-as a apanhar o Metro.

Entre as largas filas para comprar bilhete para o Metro estão várias dezenas de turistas que, ao chegar ao Aeroporto Humberto Delgado, percebem que não podem ir de táxi ou de autocarro para o centro da capital, como tinham planeado.

Fonte do Metro confirmou que se registou “um aumento da procura" esta segunda-feira, acrescentando que houve um reforço do serviço prestado aos utentes.

Já o serviço de autocarros da Carris verificou perturbações “nos troços e carreiras que passam pela zona em que a manifestação se encontra parada”, junto ao aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. De acordo com fonte da Carris, o transporte em autocarros está a ser “efetuado com normalidade” nas restantes zonas da cidade de Lisboa.

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