Centenas de trabalhadores da Empresa Geral de Fomento (EGF) concentraram-se na manhã desta quinta-feira no Largo do Rato, em Lisboa, para contestar a privatização daquela entidade que controla 65% da gestão e tratamento de resíduos urbanos a nível nacional.

Segundo Navalha Garcia, do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras de Energia e Atividades do Ambiente do Centro, Sul e Regiões Autónomas, esta manifestação dirige-se à Presidência do Conselho de Ministros, onde será entregue uma resolução aprovada pelos trabalhadores exigindo ao Governo que revogue a decisão de privatização deste sector.

O sindicalista adiantou que os trabalhadores estão preocupados com a manutenção dos seus direitos e dos seus postos de trabalho.

São 1.800 postos de trabalho que estarão em causa, de acordo com Navalha Garcia, que acrescentou que esta privatização trará «eventualmente o aumento da tarifa que hoje é paga pelos cidadãos em relação à recolha e tratamento de resíduos sólidos».

Já a 15 de outubro, os sindicatos e os municípios acionistas da empresa de resíduos Valorsul reforçaram a sua oposição à privatização da EGF e admitiram avançar com novas ações judiciais para travar o processo.

A Valorsul, sediada no concelho de Loures, serve 19 municípios da Área Metropolitana de Lisboa e da zona Oeste.

Segundo dados dos sindicatos, a EGF controla 65% da gestão e tratamento de resíduos urbanos a nível nacional, através de 11 empresas de norte a sul do país que têm como acionistas a Águas de Portugal (51%) e os municípios (49%).

Em setembro, o Governo anunciou que o consórcio SUMA, liderado pela Mota-Engil, tinha vencido o concurso para a privatização de 95% do capital da EGF.