A ministra da Administração Interna disse esta quinta-feira que os 90 novos inspetores que vão entrar para o SEF até 2017 são o “possível neste momento”, considerando que este serviço de segurança deve ter um recrutamento “mais contínuo e periódico”.

“Estes 45 mais os 45 (número de novos inspetores) são o possível neste momento. Vamos ter que trabalhar para dotar o SEF com um recrutamento mais contínuo, mais periódico para permitir manter um efetivo de forma estável”, disse aos jornalistas Constança Urbano de Sousa.

A ministra participou esta quinta-feira na sessão de abertura do congresso organizado pelo sindicato que representa os inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, tendo o seu presidente alertado para a falta de efetivos no SEF.

“É do domínio público que o SEF tem, neste momento, uma carência de efetivos”, reconheceu a governante, dando conta que 45 novos inspetores vão iniciar no domingo um estágio no aeroporto de Lisboa, depois de terem terminado a formação, e que outros 45 vão iniciar um novo curso em setembro.

“Os 45 já concluíram o curso e vão começar um estágio no aeroporto de Lisboa e, em setembro, vai começar um novo curso e passados nove meses entram mais essas 45 pessoas. Os inspetores estão sujeitos a uma formação”, disse.

Constança Urbano de Sousa sublinhou que o Governo está “a fazer todos os esforços para dotar o SEF dos recursos humanos” necessários.

A ministra destacou ainda “a qualidade e o profissionalismo” dos inspetores e pessoal de apoio deste serviço de segurança, cuja atuação tem permitido “minorar algumas carências”.

De acordo com a ministra, os 45 inspetores vão iniciar o estágio no domingo, no aeroporto de Lisboa, tendo em conta a necessidade de reforçar os efetivos neste local devido ao aumento do número de passageiros e por ser uma das fronteiras aéreas mais importantes.

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Por sua vez, a diretora nacional do SEF, Luísa Maia Gonçalves, explicou aos jornalistas que faz parte do estágio dos novos inspetores o exercício de funções nas fronteiras e, o aeroporto de Lisboa, “é o mais estimulante do ponto de vista pedagógico”, além da necessidade de reforço devido ao aumento do número de passageiros e voos.

Já o presidente do Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SCIF/SEF), Acácio Pereira, considerou que é “um primeiro passo” a admissão dos 90 novos inspetores até 2017, mas “não é suficiente”, tendo em conta que não entram para o SEF novos elementos há 10 anos e são necessários mais 200 elementos.

O quadro atual de inspetores do SEF é de 780 operacionais, defendendo o sindicato um quadro com cerca de 1.000 inspetores.

Acácio Pereira adiantou que as admissões no SEF devem passar a ser “estruturadas e constantes”.

Na quarta-feira, o presidente do sindicato disse à agência Lusa que “em 10 anos não houve admissão de inspetores e, se essa tendência continuar, obviamente que, num futuro muito próximo, deixará de haver condições para garantir com segurança o controlo das fronteiras nacionais e europeias”.