Uma educadora de uma creche municipal de Mafra foi constituída arguida por suspeitas de maus-tratos a crianças da instituição, confirmou esta quarta-feira à Lusa a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo a PGR, o processo corre termos no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Mafra e está ainda em fase de investigação, depois de uma denúncia de 12 das 15 funcionárias da creche em carta enviada ao município, na qual relatavam casos de maus-tratos.

Em agosto, o caso foi tornado público, através de uma reportagem da RTP, que mostrava fotografias de agressões a um bebé de seis meses, que terá sido amarrado à cama, tendo ficado com nódoas negras no corpo.

"Palmadas, apertões nos braços das crianças, empurrões", assim como situações de violência psicológica, são também relatadas na carta, transcrita pela RTP na mesma reportagem.

Desde essa altura que a educadora foi afastada da creche, desempenhando outras funções, disse à Lusa fonte municipal.

Em setembro, a Câmara Municipal de Mafra comunicou os factos ao Ministério Público e abriu um processo disciplinar contra a educadora, "por violação dos deveres de prossecução do interesse público, de imparcialidade e correção", lê-se na ata da reunião de câmara de 14 de dezembro (decorreu à porta fechada), a que a agência Lusa teve agora acesso.

Nessa reunião, após analisar e concordar com as conclusões do relatório final do processo disciplinar, o município decidiu aplicar à educadora uma multa de 422 euros, por infrações "imputáveis à trabalhadora".