As mulheres militares da GNR estão a ser obrigadas a levar os filhos para os postos, uma vez que às 7:00 têm que estar a entrar ao trabalho e a essa hora os infantários e escolas ainda não estão abertos. O mesmo acontece aos fins de semana. O caso foi denunciado na edição desta quinta-feira do Jornal de Notícias

O Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga recebeu e aceitou uma providência cautelar de uma militar que exerce funções no posto das Taipas, da GNR de Guimarães.

A providência cautelar suspende a ordem do comandante de trabalhar no turno das 7:00 às 16:00, porque ao cumprir a ordem "deixará, durante o seu horário de trabalho, de poder cuidar das suas filhas de tenra idade, incapazes de satisfazerem as suas necessidades básicas sozinhas e que, assim, ficarão sem terem alguém que cuide delas, para além de que obrigará a requerente a violar o cumprimento das suas responsabilidades parentais", setenciou o tribunal. 

Na base da contestação está um despacho interno do Comando Geral (CG), de 21 de novembro de 2017, que acabou com o horário flexível aos militares que têm filhos com menos de 12 anos, que faz com que atribuição do horário esteja dependente do respetivo CG. 

Em declarações à TSF, a Associação dos Profissionais da Guarda critica o Comando Geral da Guarda considerando se tratar de assédio laboral. 

Quem comanda, por vezes, tenta deturpar aquilo que está estipulado na lei. E é isso que acontece na GNR. Há certos comandantes que pensam que se sobrepõem ao que está legislado e então deturpam a legislação", disse à TSF o presidente da Associação dos Profissionais da Guarda, César Nogueira.

 

Por vezes, os comandantes não são comandantes - são mandantes". disse César Nogueira. 

De acordo com o Presidente da Associação, a solução deste problema deve passar pela contratação de mais guardas para horário fixo e por uma melhor gestão de recursos humanos. "A Guarda tem de ser adaptar. Postos que têm pessoas com horário flexível têm de colocar mais profissionais".

A militar do posto de Taipas, em Gumarães, chegou ainda a pedir ao comandante o turno 8:00 às 17:00 e assim conseguir levar as duas filhas ao infantário às 7:30. O pedido foi recusado pelo comandante. Como o marido também é GNR, os militares viram-se forçados a levar as filhas para o local de trabalho. 

Deixo-as com colegas na entrada do posto. Que alternativa tenho? Vou pôr uma cadeira de bebé no carro patrulha?", responde a GNR quando questionada de como faz quando sai em serviço.