Os restos mortais de Maëlys de Araújo, a menina lusodescendente que estava desaparecida em França, foram encontrados esta quarta-feira. A confirmação foi feita pelo procurador de Grenoble, na Câmara Municipal de Pont-de-Bonvoisin, localidade onde a rapariga de nove anos foi vista pela última vez em agosto de 2017. Jean-Yves Coquillat, que acompanhou as buscas, disse que foi encontrado um crânio de criança e um osso no meio da floresta.

O corpo foi encontrado numa pequena ravina em Saint-Franc e as buscas foram dificultadas pela neve, explicou o procurador em conferência de imprensa.

A polícia, com o recurso a cães pisteiros especializados em detetar restos humanos, chegou esta noite ao local, apesar da neve. A neve não facilitou o trabalho dos cães, mas eles permitiram que se descobrisse há poucos minutos um crânio de uma criança e um osso longo, não sei ainda de que parte do corpo. É esta a situação a esta altura".

O suspeito, Nordahl Lelandais, começou esta quarta-feira a colaborar com as autoridades e levou-as ao local onde depositou o corpo da criança.

O procurador revelou aos jornalistas que o ex-militar confessou ter matado "involuntariamente" a menina durante a festa de casamento em que se encontravam, mas não explicou como. 

Nordahl Lelandais disse que matou a criança de forma involuntária. Por enquanto, ainda não deu uma explicação sobre as causas da morte de Maëlys", afirmou."Ele queria que o corpo fosse descoberto primeiro", acrescentou.

Nordahl Lelandais confessou que, depois de matar "involuntariamente" Maëlys, levou o corpo da menina para um lugar perto da casa dos pais dele, antes de voltar para a festa de casamento. Só mais tarde levou o cadáver para a região montanhosa onde esta quarta-feira foi encontrado.

Depois da morte, o suspeito explicou que voltou para o casamento e depois voltou para a casa dos pais, onde tinha depositado o corpo pela primeira vez. Mais tarde foi buscá-lo, colocou-o na bagageira do seu veículo e levou-o para o depositar na floresta, num lugar montanhoso, no maciço de Chartreuse”, referiu o procurador.

Durante a conferência de imprensa, Jean-Yves Coquillat adiantou que Nordahl Lelandais "disse que tinha remorsos e pediu desculpa". 

Maëlys de Araújo desapareceu na noite de 26 para 27 de agosto de 2017, numa festa de casamento, em Pont-de-Beauvoisin, e até hoje o suspeito afastava categoricamente qualquer envolvimento no desaparecimento, embora todos os indícios apontassem para a sua culpabilidade.

O ex-militar, de 34 anos, que está em prisão preventiva, conduziu, esta quarta-feira à tarde, os investigadores da polícia ao local onde estava o corpo da menina. Esta manhã, Nordahl Lelandais foi ouvido pelas autoridades judiciais a seu pedido e saiu do interrogatório para ser levado ao local onde abandonou o corpo.

O procurador Jean-Yves Coquillat confirmou aos jornalistas que Lelandais pediu para ser ouvido pelos magistrados depois de o advogado lhe ter dado conhecimento que tinha sido encontrado no carro que lhe pertencia uma micro-gota de sangue correspondente ao ADN de Maëlys.