A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, disse, neste sábado, que a "concretização das medidas de recuperação" da cidade do Funchal dos incêndios de agosto é considerada pelo Governo da República uma "prioridade nacional".

Passado este período de grande aflição é necessário naturalmente conjugar esforços para apoiar as vítimas e garantir, tão rapidamente quanto possível, o regresso à normalidade das famílias, das empresas e das instituições duramente afetadas", disse na cerimónia comemorativa dos 128 anos dos Bombeiros Municipais do Funchal (BMF), que decorreu no Largo do Município.

Nesse contexto, a governante acrescentou que "esta é uma preocupação que mobiliza não só o Governo Regional, o município do Funchal mas também o Governo da República que considera uma prioridade nacional a concretização das medidas de recuperação bem expressa pela intervenção do senhor primeiro-ministro que se deslocou à Madeira logo no dia 11 de agosto".

Ainda nesse sentido, lembrou a formalização da candidatura da Madeira ao fundo de Solidariedade da União Europeia; os apoios à habitação e as linhas de crédito específicas para apoio às empresas, comércio, indústrias, turismo e serviços.

Constança Urbano de Sousa revelou também que o Governo da República iniciou já os trabalhos relativos à revisão do Estatuto dos Bombeiros Profissionais e que até ao final do ano "espera apresentar uma estratégia nacional de proteção civil preventiva".

Segundo adiantou, essa estratégia assentará em três eixos - a resiliência dos territórios, a modernização dos sistemas de alerta e de aviso das populações e a formação e sensibilização da população para os riscos e para a autoproteção.

Neste aspeto revelou também que um grupo interministerial está a preparar um programa que "permita enfrentar os novos desafios do ordenamento e da gestão florestal".

A ministra agradeceu ainda aos bombeiros da Madeira e do país a forma como combateram os fogos de verão que classificou de "corajosa e brava, sempre de forma abnegada, altruísta em prol do outro, do cidadão e da proteção dos seus bens e da vida de todos os demais".

O presidente da Câmara Municipal do Funchal, Paulo Cafofo, agradeceu igualmente o empenho dos bombeiros nos combates aos fogos da segunda semana de agosto que provocaram três mortos, um ferido grave, a destruição, total ou parcial, de 300 prédios e 157 milhões de prejuízos.

"Se salvámos muita gente, muitas casas, cada pequeno bocado de terra das chamas que os ia devorar, se nos aguentamos de pé e se estamos, aqui, a falar do nosso futuro, é graças a vós", lembrou.

Paulo Cafofo agradeceu também a solidariedade "desde a primeira hora" do Governo da República cuja ajuda considerou ter sido "imensurável" e que "jamais será esquecida".

O autarca aproveitou a ocasião para anunciar que o município investirá um milhão de euros em equipamento para os BMF, nomeadamente em dois veículos florestais de combate a incêndios com valência de combate em interface florestal e em interface urbana, em um veículo florestal pesado e em equipamento de proteção individual para os bombeiros.

Governo Regional constrói quatro casas

O presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, anunciou hoje a construção de quatro novos fogos para realojar vítimas dos incêndios que deflagraram na segunda semana de agosto, num terreno na Nazaré, propriedade da Região.

"Vamos lançar, aqui [Nazaré], a construção de mais quatro fogos num terreno que é propriedade do Governo", disse.

O terreno albergará dois T-1 e dois T-0.

"A ideia é, depois, conjugarmos esta oferta com alguns fogos que vamos comprar ou arrendar no mercado para completar o realojamento das pessoas que perderam as suas habitações", concluiu.

As obras deverão arrancar no primeiro trimestre do próximo ano e representarão um investimento de 189 mil euros.

Segundo o executivo regional, 50 habitações estão já a ser recuperadas e 99 famílias ainda estão realojadas provisoriamente.

Os fogos da segunda semana de agosto provocaram três mortos, um ferido grave, a destruição, parcial ou total, em 300 habitações e 157 milhões de euros em prejuízos.