O presidente do Governo Regional da Madeira elogiou hoje o «trabalho excecional» das forças envolvidas no combate ao incêndio nas zonas altas do Funchal, considerando que este tipo de situações graves acontece devido a «criminalidade não combatida eficientemente».

Alberto João Jardim, que está a gozar o habitual período de férias na ilha do Porto Santo, disse aos jornalistas que «as Forças Armadas, além do trabalho notável de apoio às missões de socorro, puseram hoje à disposição o avião» para que o presidente do executivo se deslocasse ao Funchal.

«No entanto, o secretário Regional dos Assuntos Sociais, que tem a tutela da Proteção Civil, comunicou-me que a situação estava sob controlo e não se justificava uma deslocação», adiantou o governante madeirense.

Jardim destacou a boa coordenação da evacuação do hospital dos Marmeleiros, a articulação com as Forças Armadas, os bombeiros e a PSP.

«Correu bem face à gravidade daquilo que eu considero criminalidade não combatida eficientemente», opinou o responsável insular.

Ainda falando sobre o facto de não se ter deslocado à Madeira, Jardim argumentou que as deslocações têm sempre dois lados.

«O positivo é, de facto, nos inteirarmos no local se a situação continuasse a agravar, o que, felizmente, não sucedeu. Tem um lado negativo: dar a impressão que se vai tirar a fotografia para a televisão da desgraça das outras pessoas e isso nunca fiz», referiu.

Várias corporações de bombeiros combatem vários focos de um incêndio que começou às 02:30 de sexta-feira, na freguesia do Monte, mas que se alastrou a outras localidades das zonas altas do Funchal, nas freguesias de Santo António e São Roque, consumindo algumas habitações e anexos e uma vasta área do Parque Ecológico do Funchal.

O Hospital dos Marmeleiros, a unidade de cuidados continuados do Serviço de Saúde da Madeira, foi evacuado esta madrugada, tendo os cerca de 200 utentes sido transferidos para o Hospital Dr. Nélio Mendonça, que acolheu, segundo o secretário Regional dos Assuntos Sociais, Francisco Jardim Ramos, 49 doentes, enquanto os outros 150 foram colocados nas instalações militares do RG3 no Funchal.

Segundo o governante, 17 pessoas cujas casas foram afetadas pelo fogo foram abrigadas em residenciais na capital madeirense pelos serviços sociais.

A Câmara do Funchal acionou o Plano de Emergência Municipal.