O presidente da Câmara Municipal do Funchal, Paulo Cafôfo, afirmou hoje que, depois dos incêndios que devastaram o concelho na segunda semana de agosto, este é “o momento da união”, apelando à extinção dos diferendos.

O momento é de união. E a sociedade civil só poderá ter a resposta capaz que se impõe se a Câmara Municipal, Governo Regional [da Madeira] e Governo da República souberem trabalhar juntos”, declarou na sessão solene comemorativa dos 508 anos da Cidade do Funchal.

Paulo Cafôfo aproveitou o momento “não para exigir, mas para apelar: se há momento para extinguir diferendos é este”.

O presidente da Câmara referiu ainda que as chuvas de outono “já estão prevenidas com um trabalho árduo na proteção e na limpeza de taludes e escarpas”.

Os executivos regional (PSD) e municipal, juntamente com os Laboratórios de Engenharia Civil nacional e do arquipélago, “estão juntos nos esforços dessa empreitada gigantesca e demorada”, sublinhou.

O Funchal do próximo ano terá dado uma resposta [à tragédia dos incêndios] que ninguém poderá esquecer”, prometeu Paulo Cafôfo.

O autarca agradeceu a todos os envolvidos na resposta à tragédia, incluindo o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o Governo da República e o executivo madeirense e “os diversos serviços sob a sua dependência”, sobretudo pela resposta no realojamento provisório das pessoas afetadas pelos incêndios.

O responsável considerou que a prioridade imediata é agora a reconstrução das casas, sendo necessários meios de financiamento, entre os quais os cinco milhões de euros de contribuições do Imposto sobre o Rendimento Singular (IRS) relativos a 2009 e 2010 e que “o Governo Regional mantém em dívida à autarquia”.

Paulo Cafôfo (eleito pela coligação Mudança – PS/BE/MPT/PTP/PAN) também lançou um apelo “à sensibilidade” do executivo nacional, porque “a ajuda financeira, nesta fase, é capital”.

Segundo o autarca, “o Funchal necessita de um novo ordenamento”, pelo que foi apresentada a 16 de agosto uma proposta de revisão do Plano Diretor Municipal à comissão de acompanhamento, com medidas para minimizar os riscos das aluviões e incêndios.

Para o responsável, a tragédia vivida deve ser “alavanca para dar à cidade uma oportunidade de um renascimento e de uma requalificação”.

Por isso, anunciou a criação de um gabinete da cidade “com o objetivo claro de acelerar a regeneração e a vitalidade urbana”.

Também haverá um investimento em meios e equipamentos da Proteção Civil, uma das prioridades do executivo municipal, e a abertura da escola dos bombeiros.

Vamos investir na segurança dos cidadãos”, assegurou, declarando: “Não podemos pactuar com o desordenamento e com a construção ilegal em zonas de risco que tem sido apanágio do Funchal nas últimas décadas. É preciso dizer basta”.

A sessão contou com a presença de um grupo vindo da cidade alemã de Leichlingen, com a qual o Funchal celebra 20 anos de geminação.

 

A ilhada Madeira foi fustigada por fogos na segunda semana deste mês, tendo o concelho do Funchal sido o mais afetado.

Cerca de 300 casas ficaram destruídas ou danificadas e ardeu cerca de 22% da área do concelho. Os prejuízos entre imóveis e infraestruturas públicas non município estão avaliados em 61 milhões de euros.