O julgamento de 23 arguidos, acusados do crime de tráfico de droga adquirida no continente e remetida para a Madeira através dos correios, com início previsto para esta quinta-feira, no Funchal, foi adiado para 30 de outubro.

O juiz Filipe Câmara, que vai presidir ao julgamento nas Varas de Competência Mista do Funchal, explicou que o tribunal, ao qual compareceram 19 arguidos, tinha designado as datas das sessões em abril, mas uma advogada renunciou à procuração em relação a dois suspeitos a 13 de setembro, tendo uma das advogadas nomeadas entretanto requerido prazo para preparar a defesa do acusado que representa. Um outro advogado foi nomeado na quarta-feira e houve outro que não compareceu.

«Este [adiamento] não é por nossa culpa», declarou o magistrado judicial.

De acordo com o despacho de acusação, 11 dos arguidos, desde data não apurada e até maio de 2010, «decidiram dedicar-se à aquisição e posterior revenda de haxixe» na Madeira a consumidores que «os abordassem mediante a entrega de contrapartida monetária».

«Com tal venda, os arguidos obtinham um lucro monetário, na medida em que o preço recebido pelos produtos vendidos era superior ao valor despendido com a respetiva aquisição», refere o documento. Um destes suspeitos, uma mulher de 23 anos, era carteira.

De acordo com o Ministério Público (MP), «de forma a maximizar o lucro, os arguidos adquiriam o produto em locais não concretamente apurados no continente português, onde, tal como é do conhecimento comum, é mais barato, remetendo-o, posteriormente, via postal para a região».

O mesmo despacho dá conta que nesta atividade aqueles arguidos eram auxiliados por outros 11 suspeitos que aceitaram «receber nas suas residências as referidas encomendas ou procedendo ao seu levantamento diretamente nas estações dos CTT, o que fizeram em troca de contrapartidas monetárias e/ou de produto estupefaciente».

Com a detenção de um dos arguidos, ainda no decurso do inquérito, um outro suspeito passou a remeter, a partir da zona de Sintra para a Madeira, várias encomendas postais contendo haxixe. O produto estupefaciente chegou, também, a ser comprado em Espanha, adianta o MP.

Aos 23 arguidos, com idades entre os 21 e 62 anos, a maioria residente no Funchal, está imputado um crime de tráfico de estupefacientes, na forma simples, de menor gravidade ou agravado.

Quatro dos suspeitos respondem, também, por detenção de arma proibida e dois deles por tráfico e mediação de armas, crime relativo ao envio de uma pistola, com quatro munições, também por via postal, para a Madeira.

O julgamento está previsto começar às 09:15 de 30 de outubro, continuando a 06 de novembro.