
Um aumento dos impostos sobre o consumo e os combustíveis representaram este mês o primeiro impacto do Programa de Ajustamento Económico e Financeiro acordado entre os Governos central e regional, depois do desvio das contas públicas da região.
O aumento da taxa do IVA e o acréscimo de 15% no Imposto Sobre Produtos Petrolíferos (IPSS), como contrapartida pelo não pagamento de portagens, são as principais medidas que obrigaram os residentes neste arquipélago a alterar alguns dos seus hábitos de vida.
Apesar de ser ainda cedo para apresentarem números concretos, responsáveis de vários setores admitem que está a ter repercussões negativas na vida económica dos madeirenses, sendo este o caso dos proprietários dos restaurantes que não escondem a sua apreensão por verem menos clientes entrarem todos os dias pelas portas dos estabelecimentos.
No caso dos supermercados, apesar dos responsáveis que preferem não avançar com dados, em alguns pontos é notória redução no número de clientes.
Por outro lado, é visível a redução do trânsito e a Associação Comercial e Industrial do Funchal estima uma redução de 7,2 por cento no número de carros a circular.
Preocupados estão também os vendedores de automóveis, que falam de quebras nas vendas, num «ano catastrófico e futuro negro» e apontam que muitas pessoas estão a mudar a forma de transporte, alguns trocando até o carro pelos velocípedes.
A emigração que em tempos foi a escolha de muitos madeirenses no passado mas a situação atual parece inverter a tendência de redução dos novos emigrantes. Segundo o Centro das Comunidades, tem existido um aumento de pedidos de informação.
Outro sinal evidente da alteração dos hábitos dos madeirenses é a própria paisagem, caso dos muitos terrenos ao redor da ilha que antes estavam abandonados e agora estão revolvidos, o que evidencia um possível regresso à agricultura.