A polícia britânica reduziu a equipa de investigação ao desaparecimento de Madeleine McCann, alegando estar só a seguir um pequeno número de linhas de investigação.

O número de agentes dedicados à "Operação Grange", iniciada em 2011 (quatro anos depois do seu desaparecimento no Algarve) foi reduzido de 29 para apenas quatro, liderados pela inspetora-chefe Nicola Wall.

"O inquérito não chegou a uma conclusão, ainda existem linhas focadas de investigação a serem seguidas", refere um comunicado divulgado esta quarta-feira.

Porém, as autoridades britânicas consideram ter sido concluído a principal parte do trabalho, que implicou reunir e analisar os processos de investigação das polícias portuguesa e britânica e dos investigadores privados contratados pelos pais da criança.
 

Os números do processo


Ao todo, foram revistos mais de 40.000 documentos, muitos dos quais tiveram de ser traduzidos para inglês, recolhidos 1.338 depoimentos e 1.027 objetos, determinadas 7.154 diligências e identificadas 560 linhas de investigação, tendo sido enviadas mais de 30 cartas rogatórias internacionais.

A polícia britânica afirma também ter investigado mais de 60 "pessoas de interesse", considerado um total de 650 criminosos sexuais e averiguados testemunhos de 8.685 potenciais avistamentos de Madeleine em todo o mundo.

Ao longo deste tempo recebeu, em média, duas centenas de emails por semana - só na sequência do apelo feito em outubro de 2013 em três países foram mais de 7.000 respostas.

"A polícia portuguesa continua a liderar a investigação e nossa equipa vai continuar a apoiar o seu inquérito. Eles foram muito atenciosos com a 'Operação Grange' e mantemos uma estreita relação de trabalho. Eu sei que eles permanecem totalmente comprometidos a investigar o desaparecimento de Madeleine com o apoio da Polícia Metropolitana", disse o comissário adjunto da Scotland Yard, Mark Rowley.

Por seu lado, Kate e Gerry McCann, pais de Madeleine, manifestaram compreensão pela redução dos meios e agradeceram, citados no mesmo comunicado, o "trabalho minucioso e meticuloso" feito pela polícia britânica.

"Embora não saibamos o que aconteceu a Madeleine, temos esperança de que ela ainda possa ser encontrada dadas as linhas de investigação em curso"

 

Investigação já custou 14 milhões


Segundo o governo britânico, o custo acumulado da investigação ascendia, até ao final de junho, a 10,1 milhões de libras (14 milhões de euros), estando orçamentados para 2015 mais dois milhões de libras (três milhões de euros).

Madeleine McCann desapareceu poucos dias antes de fazer quatro anos, a 03 de maio de 2007, do quarto onde dormia juntamente com os dois irmãos gémeos, mais novos, num apartamento de um aldeamento turístico, na Praia da Luz, no Algarve.

Foi após um apelo público dos pais de Madeleine ao primeiro-ministro britânico, David Cameron que foi aberta em 2011 a "Operação Grange", tendo no ano seguinte sido determinada a abertura de um inquérito formal.