A delegação portuguesa da associação Médicos do Mundo (MdM) lamentou hoje o ataque na segunda-feira contra um hospital no norte da Síria, que considerou "inaceitável e uma violação do direito internacional e um crime contra a humanidade".

Pelo menos 25 pessoas morreram no ataque contra um hospital de Maarat al-Numan, gerido pela organização não-governamental (ONG) Médicos Sem Fronteiras (MSF).

O ataque contra este hospital "é inaceitável e constitui uma violação do direito internacional e um crime contra toda a humanidade", disse a delegação portuguesa da ONG de ajuda humanitária e de cooperação para o desenvolvimento, em comunicado enviado à agência Lusa.

Na segunda-feira, ataques a hospitais em Azaz e Maraat al-Numan fizeram quase 50 mortos, de acordo com números da ONU, enquanto a MdM lembrou que mais de 40 mil pessoas estão sem acesso a cuidados médicos numa zona de conflito aberto.

Mais de 60 hospitais e clínicas apoiados pela MSF - que trabalha na Síria maioritariamente em zonas controladas por grupos opositores e sem autorização formal do governo de Damasco - foram alvos de ataques em 2015.

A MdM reforçou o apelo à comunidade internacional para que "atue rapidamente na defesa dos direitos humanos e na busca de uma solução política para esta crise" na Síria, destacando o papel da ONU e da União Europeia.

"Cabe aos diferentes Estados-membros da UE estabelecer uma política solidária comum, assente nos princípios base do tratado da União, onde a salvaguarda dos Direitos Humanos, à luz das Convenções de Genebra, decorre dos valores éticos e culturais que são constitutivos do projeto europeu", sublinhou.

A guerra na Síria levou ao "êxodo de milhões de pessoas, totalmente desprotegidas e vulneráveis (mulheres, crianças e debilitados) que procuram, apenas e só, um refúgio que lhes permita ter paz nas suas vidas", lembrou a MdM.

"Em defesa destes valores, a UE deve contar com todas as ONG como um dos seus principais interlocutores, assumindo que estas desempenham historicamente um papel decisivo na defesa destes valores junto das comunidades e da base do tecido social".

A guerra na Síria, que se prolonga desde 2011, já causou entre 250.000 e 460.000 mortos, de acordo com várias organizações internacionais.