A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) exigiu esta segunda-feira ao Governo do Luxemburgo que elimine os «obstáculos» que estão a ser colocados às crianças de outras nacionalidades para falarem a sua língua materna no dia a dia.

Em comunicado enviado à Lusa, a Fenprof considerou que «estas atitudes são castradoras de um desenvolvimento harmonioso e equilibrado dos filhos dos imigrantes portugueses, dado que não permite que as crianças se exprimam, mesmo em atividades lúdicas ou durante as pausas entre atividades, na língua que lhes é comunicada pelos seus progenitores e que faz parte do seu património sociolinguístico e cultural».

No texto divulgado aos órgãos de comunicação social, a Fenprof criticou «o falhanço das visitas do primeiro-ministro português ao Grão Ducado, bem como do ministro da educação, Nuno Crato, que, conhecendo os acontecimentos denunciados pelos órgãos de comunicação social, revelaram a total insensibilidade do Governo para este problema».

As críticas estendem-se também ao secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, de quem aguardam «uma tomada de posição forte que acautele os legítimos direitos dos lusodescendentes residentes no Luxemburgo».

Perante isto, conclui o comunicado, «a FENPROF manifesta o seu mais vivo repúdio pela atitude de alguns estabelecimentos na dependência das autoridades comunais (municipais) e exige o fim da opressão cultural e linguística sobre os filhos dos imigrantes portugueses».

Na semana passada, a Lusa noticiou que algumas creches e escolas do Luxemburgo tinham proibido as crianças portuguesas de falarem a língua materna umas com as outras e o Sindicato dos Professores das Comunidades Lusíadas denunciou que existem casos semelhantes na Alemanha e na Suíça.