O Governo vai arrancar este ano com um programa de escolarização para mulheres idosas, em parceria com as câmaras municipais das regiões do país com maior incidência de analfabetismo feminino, anunciou hoje a secretária de Estado da Igualdade.

Este programa surgiu de uma proposta feita pela Secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade ao Ministério da Educação e Ciência para combater o analfabetismo, convidando as autarquias desses distritos a criar cursos de alfabetização para idosas com baixa escolaridade.

A proposta foi feita «no final do ano passado e estamos agora a identificar quem podem ser os parceiros nesse trabalho», avançou Teresa Morais aos jornalistas, à margem do seminário «Envelhecimento e Violência», que está a decorrer em Lisboa.

Segundo um levantamento realizado pelo gabinete da secretária de Estado da Igualdade, os distritos de Beja, Évora, Portalegre, Castelo Branco, Guarda e Vila Real são os que apresentam a maior incidência de analfabetismo feminino.

Teresa Morais observou que «as pessoas idosas mais violentadas são as que têm menos escolaridade», o que é «preocupante».

Um estudo do projeto «Envelhecimento e Violência 2011-2014», divulgado hoje no seminário, refere que as mulheres, entre os 60 e os 69 anos, com escolaridade e rendimentos baixos são as maiores vítimas de violência em contexto familiar.

«Este estudo veio confirmar o que outros estudos já tinham demonstrado: a particular vulnerabilidade das mulheres, o facto de serem as principais vítimas, os homens os principais agressores e as mulheres estarem mais sujeitas a esta vitimação por um conjunto de fatores que as torna mais vulneráveis», comentou Teresa Morais.

Citando outro estudo, a secretária de Estado acrescentou que «dois terços das mulheres com mais de 85 anos têm escolaridade nula ou básica, o que significa que tem de haver um esforço suplementar na área da educação para combater esta situação».

Teresa Morais revelou que há outra medida em estudo e que se cruza com a da escolarização das idosas: «Levar a alfabetização às casas abrigo», que acolhem mulheres vítimas de violência doméstica.

«Verifica-se que há mulheres acolhidas nas estruturas de acolhimento da rede pública de casa abrigo que não são alfabetizadas» e muitas delas com menos de 65 anos, um fator que condiciona a sua autonomização e o regresso ao mercado de trabalho, sublinhou.

Para a secretária de Estado, é «um desperdício» que estas mulheres permaneçam nessas casas durante um ano ou até mais e que «esse tempo não seja aproveitado para a sua escolarização».

Já estão a ser contactadas casas abrigo para identificar as que têm mulheres com este perfil. Quando estiverem identificadas, arrancará um projeto-piloto com equipas de docentes que irão percorrer estes equipamentos.

«Se as mulheres não podem ir à escola, vai a escola às casas abrigo», comentou.

No seminário, a secretária de Estado defendeu a criação de um «plano gerontológico nacional» para analisar os problemas do envelhecimento e proporcionar «uma visão multidisciplinar dos problemas que a velhice transporta», na perspetiva da justiça, da proteção social e da educação.