Numa carta de despedida enviada aos trabalhadores da televisão pública, o ex-administrador Luís Marinho, até agora responsável pelo gabinete de projetos especiais, não se poupa nas palavras quanto ao estado atual da empresa.

Do ponto de vista organizativo, a RTP é hoje uma empresa dos anos 80 do século passado, com direções para todos os gostos, a que se juntam ainda mais diretores disfarçados de consultores", refere a carta, lida e divulgada pela Agência LUSA.

Na comunicação com cerca de duas páginas, Luís Marinho faz uma avaliação dos últimos 18 meses da RTP, "coincidentes com o mandato do atual" Conselho de Administração, liderado por Gonçalo Reis.

Não era esta a forma, nem era nesta altura que esperava abandonar a empresa a que me dediquei nos últimos 15 anos", salienta, condenando "a nova governação inventada pelo ministro [Miguel Poiares] Maduro".

Por exemplo, obre o Conselho Geral Independente, órgão de supervisão do Conselho de Administração da RTP criado pelo ministro Poiares Maduro, Luís Marinho classifica-o de "inexistente". E salienta que as alterações na gestão da RTP e a nomeação da atual administração criaram "condições para abreviar a minha estadia na RTP"

"Triste" e um tanto ou quanto crente

Luís Marinho assumiu vários cargos no grupo de media do Estado, entre os quais de diretor-geral de conteúdos, diretor de estratégia de grelha e ainda diretor de informação da rádio e da televisão públicas. Na carta enviada aos trabalhadores, diz esperar que estes recuperem a RTP, apesar das dificuldades que a atual administração irá colocar.

A atual situação deixa-me triste, mas continuo a acreditar que os verdadeiros profissionais da RTP não vão baixar os braços e serão capazes de reerguer a empresa. Não vai ser fácil, sobretudo se a atual governação renovar o mandato que termina no final de 2017", diz Luís Marinho.

O jornalista considera ainda que "a RTP caminha a passos largos para a total irrelevância, em nome de uma suposta qualidade que talvez alguns amigos consigam vislumbrar".

Quanto a si, comunica aos trabalhadores da RTP ter existido vontade na sua saída da empresa. 

Depois de ser afastado das funções que exercia, recebi, ao longo dos últimos meses, recados mais ou menos discretos no sentido de se criarem 'condições extraordinárias' caso encarasse a hipótese de sair da empresa. E a vontade do Conselho de Administração acabou por se concretizar, ao aceitar as 'condições extraordinárias' que propus", conta.

Luís Marinho conclui a carta com o título "Adeus... e obrigado" desejando "aos verdadeiros profissionais da RTP - a esmagadora maioria dos seus trabalhadores - as maiores felicidades".