A Associação de Profissionais das Artes Cénicas - Plateia defendeu este domingo a necessidade de o primeiro-ministro definir a estratégia para a Cultura e a respetiva sustentação orçamental, assim como a posição portuguesa nas prioridades europeias nesta área.

"Mais do que a saída ou entrada de um ministro, importa saber qual a política [do Governo para a área] e que o primeiro-ministro defina a estratégia para a Cultura" e para a criação artística, disse à agência Lusa Carlos Costa, elemento da direção da Plateia.

Em comentário à escolha do embaixador e poeta Luís Filipe Castro Mendes para ministro da Cultura, em substituição de João Soares, o representante da Plateia apontou igualmente a importância de saber "como vai o Governo sustentar as suas opções estratégicas, em termos orçamentais".

Outra preocupação da Plateia é perceber qual a posição que Portugal vai assumir na definição das prioridades europeias na cultura para o período 2020/2030.

Trata-se de "perceber em que medida o Governo socialista com apoio da esquerda se distingue ou não do governo PSD/CDS", apontou ainda Carlos Costa.

Embora reconhecendo a importância do papel do ministro, o responsável da associação referiu ser decisivo saber se a Direção Geral das Artes vai ter os recursos humanos e financeiros necessários para desempenhar a sua tarefa.

Tal como o CENA – Sindicato dos Músicos, dos Profissionais do Espetáculo e do Audiovisual, também a Plateia transmitiu a expetativa de ter uma resposta positiva ao pedido de reunião com o ministro da Cultura, já dirigido ao anterior governante, mas não concretizado, para que "seja ouvida a opinião do setor" e transmitido o seu contributo para a definição da referida estratégia.

Em declarações à agência Lusa acerca da escolha para o novo ministro da Cultura, o presidente do CENA, André Albuquerque, referiu que será pedida uma reunião ao novo ministro tal como sucedeu com o anterior, João Soares, encontro que, no entanto, não veio a realizar-se.

André Albuquerque espera que o novo ministro da Cultura receba "o mais rapidamente possível" a estrutura para analisar assuntos como a nova regulamentação daquelas profissões.

O novo ministro da Cultura é o embaixador e poeta Luís Filipe Castro Mendes, atual representante de Portugal junto do Conselho da Europa em Estrasburgo, como foi hoje anunciado no 'site' da Presidência da República, que também aponta quinta-feira como a data da tomada de posse.

Substitui na pasta João Soares que apresentou, na sexta-feira, ao primeiro-ministro, António Costa, a demissão das suas funções no Governo, invocando razões de solidariedade com o executivo.