O vice-presidente da Câmara de Portimão suspenso de funções, Luís Carito, está a partir desta sexta-feira em prisão domiciliária com pulseira eletrónica, depois de ter permanecido duas semanas em prisão preventiva, disse à agência Lusa fonte judicial.

O autarca ficou em prisão preventiva a 21 de junho, dia em que o juiz Carlos Alexandre, do Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa, aplicou ao arguido a medida de coação mais gravosa, até que estivessem reunidas as condições legais e técnicas para que pudesse passar a prisão domiciliária, com pulseira eletrónica.

Luís Carito, o vereador da Câmara de Portimão Jorge Campos, o administrador da empresa municipal Portimão Urbis Lélio Branca e os administradores Artur Curado e Luís Marreiros, da Pictures Portugal, foram detidos por suspeitas de corrupção, administração danosa, branqueamento de capitais e participação económica em negócio.

O vice-presidente esteve detido, até à tarde de hoje, no estabelecimento prisional junto à Polícia Judiciária (PJ), na Rua Gomes Freire, em Lisboa, tendo sido transferido para uma habitação na Grande Lisboa, segundo a mesma fonte.

Além de ficar sujeito à medida de coação de vigilância eletrónica, Luís Carito ficou suspenso de exercer cargos públicos e proibido de contactar com os outros arguidos e de se ausentar do país.

O vereador, o administrador da Portimão Urbis e os dois empresários da Pictures Portugal saíram em liberdade, mas tiveram de pagar uma caução de 20 mil euros cada um, além da proibição de se contactarem entre si e de se ausentarem do país.

O vereador e o administrador da Portimão Urbis estão também suspensos de exercerem cargos públicos.

Face ao impedimento de Luís Carito e do vereador Jorge Campos, a autarquia de Portimão redistribuiu entretanto os respetivos pelouros por outros elementos do atual executivo camarário.

Os factos em investigação estão relacionados com a atividade e gestão da Portimão Urbis. Luís Carito e Jorge Campos faziam parte, à data dos alegados factos (2011), do seu conselho de administração.

Para o Ministério Público (MP), os cinco arguidos tinham como objetivo comum «sacar dinheiro» à empresa municipal através da celebração de contratos fantasmas com outras empresas privadas, entre as quais a Pictures Portugal.

Sancho Carvalho Nunes, advogado do vice-presidente, Luís Carito, reconheceu, após o primeiro interrogatório judicial, que o facto de o seu cliente ter

«ingerido um papel» que retirou das mãos dos inspetores da PJ durante as buscas domiciliárias, «pôde ter sido determinante para a aplicação da medida de coação» ao autarca.

O advogado acrescentou, a 21 de junho, que a atitude do seu cliente foi de alguém «que não estava no seu estado de lucidez e racionalidade», justificando que o Luís Carito foi surpreendido pelos inspetores da PJ em sua casa cerca das 07:30 de quarta-feira dessa semana.

Uma das situações investigadas prende-se com o projeto Pictures Portugal - iniciativa privada para a criação da cidade do cinema em Portimão.

Outra parte da investigação, que durou dois anos e contempla quatro volumes, também abrange contratos que envolvem, alegadamente, o estádio do Portimonense, explicou à agência Lusa fonte policial.

Os cinco suspeitos foram detidos no âmbito de uma investigação da PJ, que culminou com a realização de buscas na autarquia algarvia, nas instalações da empresa municipal e nas residências dos arguidos.