O vereador da coligação PSD/CDS-PP na Câmara de Ourém, Luís Albuquerque, vai ser julgado por dois crimes de corrupção passiva, confirmou o próprio à agência Lusa, que garante estar de «consciência tranquila».

Em causa está o alegado pedido de dinheiro, a dois empresários, no valor de 100 mil euros a cada um, para o Centro Desportivo de Fátima, do qual Luís Albuquerque foi presidente.

Segundo informação da Procuradoria-Geral Distrital de Coimbra (PGDC), foi deduzida «acusação contra um vereador do município de Ourém pela prática de dois crimes de corrupção passiva, puníveis nos termos da Lei sobre Crimes da Responsabilidade de Titulares de Cargos Políticos, por, no ano de 2009, ter solicitado a dois empresários da construção civil, em favor de um grupo desportivo, a quantia de 100.000,00 euros, a cada um».

«Isto numa altura que coincidia com o processo de licenciamento de um empreendimento de um hipermercado pela Câmara Municipal de Ourém, em que aqueles estavam envolvidos e tinham interesse», adianta a PGDC.

A PGDC acrescenta que «a acusação foi deduzida em 5 de julho de 2013» e, por decisão judicial de 21 de janeiro último, «foi aquele vereador pronunciado pelo cometimento dos dois crimes de corrupção passiva, nos exatos termos da acusação formulada pelo Ministério Público».

Aguarda-se a designação de data para o julgamento, adianta a Procuradoria-Geral Distrital de Coimbra.

À agência Lusa, Luís Albuquerque, que era à data dos factos presidente do Centro Desportivo de Fátima e foi cabeça de lista da coligação Ourém Sempre, do PSD/CDS-PP, nas últimas eleições autárquicas, disse lamentar a divulgação de «assuntos que ainda não foram julgados».

«Trata-se de um processo que tem vários anos, sobre o qual estou perfeitamente tranquilo, porque estou consciente de que não cometi qualquer crime. Aliás, considero que os factos que me são imputados não têm qualquer fundamento», declarou o autarca.

Para Luís Albuquerque, «não se coloca a questão de deixar o cargo de vereador, sem funções executivas», para o qual foi eleito em setembro, «dado não existir qualquer decisão de condenação».

«Acredito na justiça e que se fará justiça, porque não cometi qualquer crime», acrescentou o vereador e antigo dirigente desportivo.