Os viciados em jogos são sobretudo homens abaixo dos 50 anos, com sintomas depressivos e suicidas, que vão a casinos ou jogam na Internet, revelaram esta sexta-feira, em Torres Vedras, especialistas em comportamentos aditivos e dependências.

No congresso do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), o terapeuta Pedro Hubert explicou que existem viciados em jogos na internet a dinheiro, como as apostas desportivas, poker e casinos virtuais, ou sem ser a dinheiro, como os jogos na rede social Facebook, cujo acesso é feito por computador, telemóveis ou televisões interativas, a partir da comodidade da casa.

Estas pessoas são sobretudo homens na casa dos 30 anos, solteiros, inseridos no mercado de trabalho, que chegam a jogar oito horas diárias, consumidores problemáticos de tabaco, têm problemas de stress e sintomas depressivos e suicidas, que tendem a afirmar-se, e substituem o jogo pela televisão ou por compras.

Por outro lado, há os viciados que se deslocam a espaços de jogos, como bingos, casinos ou bancas, onde podem comprar as chamadas «raspadinhas» ou registar o Euromilhões.

Estes, segundo o especialista, diferem dos primeiros por terem 40 anos, terem uma relação conjugal, serem atraídos para os jogos pelo dinheiro e pelo divertimento, e substituírem a televisão e o exercício físico pelos jogos.

Durante o congresso, a investigadora Diana Cunha disse que, em relação aos jogadores patológicos, o «jogo não passa de um sinal de uma perturbação», havendo por seu turno aspetos biológicos e do contexto familiar, como maus tratos na família, integração em famílias disfuncionais ou dificuldades de relacionamento emocional e sexual no caso de pessoas casadas, que «facilitam o desenvolvimento dos sintomas».

Razão pela qual, defendeu, os familiares devem ser incluídos nas terapias da patologia do jogo.

A «ludopatia», como a doença é já chamada pelos especialistas, contribuiu para gerar 289,6 milhões de euros de receitas do jogo em 2012 e permitiu regulamentar a proibição de viciados entrarem em salas de jogo, adiantou Paulo Lopes, do Serviço de Inspeção de Jogos do Turismo de Portugal.

Segundo o responsável, «há um incremento de pessoas que são, por vontade própria, inibidas de aí entrarem», tendo os pedidos aumentado de 359, em 2011, para 479, em 2012.

O investigador Henrique Lopes alertou ainda que, «quanto mais pobres são as pessoas, maiores probabilidades existem de entrarem em problemas de viciação», havendo grupos de risco como os doentes mentais, desempregados, reclusos ou pessoas com outras dependências, como álcool ou estupefacientes.

As pessoas viciadas em jogo vão passar a integrar a rede de referenciação de comportamentos aditivos e dependências, como prevê o plano do SICAD, cujo congresso terminou em Torres Vedras.