A Universidade do Porto (UP) apresentou, em 2014, um lucro de 5,5 milhões de euros, aumentando o resultado líquido em 37,5% face a 2013, revela o Relatório de Contas daquela instituição.

“Acabámos o ano 2014 com um balanço positivo de 5,5 milhões de euros. No entanto, o financiamento do Estado à Universidade do Porto diminuiu em 22 milhões de euros nos últimos cinco anos”, disse à Lusa fonte do gabinete de comunicação da UP, recordando que em 2010 a UP recebeu “138 milhões de euros” e que em 2014 recebeu apenas “116 milhões de euros de Orçamento do Estado para 135 milhões de euros de custos com pessoal”.

O Relatório de Atividades e Contas 2014 da UP, a que a Lusa teve hoje acesso, indica também que o Orçamento do Estado só cobre 85% das despesas com o pessoal em 2014, menos dois pontos percentuais do que em 2013 (87%).

Para garantir o pagamento de salários, a Universidade do Porto utilizou 19 milhões de euros de receitas próprias em despesas com pessoal.

Apesar da “forte restrição financeira que tem vindo a ser dirigida nos últimos anos à atividade do setor público” e que continua a “afetar de forma acentuada a UP”, o Relatório de Contas de 2014 refere-se a uma “solidez económico-financeira” da instituição, que é comprovada pelos cinco anos consecutivos de resultados líquidos positivos, sendo o ano de 2011 o que obteve maior lucro, com 23,4 milhões de euros.

“A Universidade só conseguiu dar a volta e não ficar totalmente paralisada graças ao seu sucesso em candidaturas a fundos europeus que, em 2014, renderam 7 milhões de euros de euros para financiamento de investimento”, observou a mesma fonte do gabinete de comunicação, explicando, contudo, que a UP recorreu a fundos próprios para assegurar os 1,5 milhões de euros de comparticipação nacional exigida para esses projetos.

A dimensão do corte do financiamento do Estado na Universidade do Porto é mais visível nos valores de investimento, designadamente nas obras e equipamento, que em 2014 foi de apenas 400 mil euros.

A Universidade do Porto é a segunda maior universidade do país - a primeira é a Universidade de Lisboa, que se fundiu com a Universidade Nova –, foi fundada a 22 de março de 1911 e tem, atualmente, 31.352 alunos e 2.390 docentes e investigadores.

Tem 678 cursos, 14 faculdades, 14 museus, 16 bibliotecas e uma área de construção de cerca de 500 mil metros quadrados.