O presidente da direção dos Bombeiros de Lourosa admitiu, esta quinta-feira, à Lusa uma posição de força se as autoridades competentes não resolveram a penhora de que a corporação é alvo por não pagar tratamento a bombeiro.

Os Bombeiros de Lourosa, em Santa Maria da Feira, foram alvo de uma execução fiscal para o pagamento de 360 mil euros relativo ao tratamento de um bombeiro que sofreu ferimentos num incêndio, em 2010, e que acabou por morrer no hospital, avançou esta quinta-feira a TSF.

Antes do desfecho fatal, o bombeiro esteve seis meses internado no Hospital da Prelada, no Porto, e era membro do Grupo de Primeira Intervenção (GPI) e não um assalariado da corporação.

Nesta situação, considerou o dirigente, o seguro de acidentes pessoais era da responsabilidade da Proteção Civil e não da corporação. «Para os bombeiros assalariados da corporação, que são 27, temos um seguro específico», explicou.

Na sua opinião, a corporação não tem de pagar os tratamentos porque existe um seguro, com teto máximo de 10 mil euros, e um fundo social do bombeiro para custear as despesas. Ambos se recusam a pagar.

Joaquim Cardoso revelou que, na passada quinta-feira, um oficial de justiça visitou as instalações da corporação para executar a dívida e penhorar o quartel e as viaturas.

A situação, caracterizou, é uma «vergonha nacional» e demonstra como as corporações de bombeiros são «mal tratadas».

Os bombeiros, entendeu, deveriam todos ter um seguro com valor ilimitado, dado aos riscos a que estão expostos.

Na altura da morte do bombeiro, relembrou, o ministro da Administração Interna visitou a vítima no hospital e prometeu «reunir todos os esforços» para cobrir as despesas.

Os Bombeiros de Lourosa já comunicaram o problema à Liga e à Associação dos Bombeiros que se mostraram «solidários» e prometeram «tomar medidas».



O presidente da direção referiu que, atualmente, a corporação com 110 elementos, que serve 11 das 31 freguesias de Santa Maria da Feira, tem «sérios» problemas financeiros porque deixou de receber apoios por parte de empresas da região. «Temos pago aos bombeiros e fornecedores com a ajuda dos sócios, amigos e benfeitores», revelou.