Um homem acusado pelo Ministério Público (MP) de ter matado a mãe com uma catana, na Lourinhã, negou hoje em tribunal a autoria do crime.

Na primeira sessão do julgamento, o arguido, de 27 anos, acusado de homicídio qualificado, furto e detenção de arma proibida, negou «a maioria dos factos» de que está acusado pelo MP.

O jovem negou ter sido o autor do homicídio da mãe, justificando que, apesar de ter voltado a residir em casa dos pais, nos Casais das Campainhas, após terminado a relação com a namorada, com quem vivia, à hora do crime tinha ido ter com ela e com um amigo e que tem fobia a sangue.

Segundo a acusação do MP, no dia 27 de março de 2013, dentro da casa, o acusado terá desferido golpes de catana, por três vezes, na cabeça da mãe, de 53 anos, que se encontrava sentada ao computador, de costas.

De seguida, ter-se-á apoderado da sua carteira, de um relógio e de anéis em ouro, no valor de dois mil euros.

«Podia ter sido algum dos empregados do meu pai, porque ele não os despedia, mas fazia-lhes a vida negra até se despedirem, e iam a casa pedir dinheiro adiantado. Também já pensei que poderia ter sido o meu pai, porque foi a primeira pessoa a dar com a minha mãe e tinha as mãos sujas de sangue», alegou em tribunal.

Ainda de acordo com o MP, ocorriam discussões frequentes entre o arguido, que nem sempre ia trabalhar, e os progenitores, por lhe recusarem dar quantias monetárias que exigia, facto que o arguido confessou em tribunal, admitindo que lhes «roubava» dinheiro que tinham em casa ou através do cartão de crédito, sem o seu consentimento.

O arguido explicou que se relacionava melhor com a mãe, que o defendia e lhe dava dinheiro, mas, nos últimos meses, a situação vinha a agudizar-se por precisar de dinheiro para pagar as despesas da casa onde vivia com a namorada.

Depois de usar mil euros do cartão de crédito, «roubou» 2.000 euros em dinheiro, a ponto de a mãe lhe enviar uma mensagem escrita para o telemóvel a dizer que «não lhe dava nem mais um cêntimo», como consta no processo.

O jovem foi detido duas semana depois do crime pela Polícia Judiciária, sendo primeiro ouvido como testemunha e depois sido constituído arguido, por ser o principal suspeito do crime.

O julgamento continua no dia 11 de março.