O Ministério Público acusou cinco jovens de agressões e de tentativa de homicídio de três polícias, feridos violentamente pelos arguidos com pedras, pontapés e murros, quando faziam segurança num arraial na povoação do Catujal, em Loures.

Segundo o despacho de acusação do MP, a que a agência Lusa teve hoje acesso, o episódio de violência ocorreu na madrugada de 03 de julho deste ano, na freguesia de Unhos, durante uma festa de arraial organizada pela paróquia de São José da Nazaré, na qual participavam 200 pessoas.

Os agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) estavam uniformizados, em missão de serviço remunerado, a fim de “assegurar a manutenção da segurança e ordem pública”, refere a acusação, acrescentando que no local se encontravam os cinco arguidos, com idades entre 19 e 25 anos, “os quais integravam um grupo composto por, pelo menos, 10 indivíduos”.

Pelas 00:30, dois dos jovens aproximaram-se dos polícias “mantendo um olhar fixo e provocatório” direcionado a um dos agentes, com um dos arguidos a dizer: “’Tás a olhar para mim para quê, ó bófia… porque é que estás a olhar assim para mim?”, relata a acusação.

O PSP levantou o braço e tocou no peito do arguido Ercelino Varela (o único dos cinco jovens em prisão preventiva), para o afastar.

“Nessa altura, os arguidos Bruno Miranda, Ercelino Varela, Diogo Henriques, Tiago Lopes e Tiago Simões, acompanhados dos restantes indivíduos que integravam o grupo, cuja identificação não se logrou apurar, avançaram na direção do agente com o claro desiderato de o agredir”, descreve o MP.

A partir deste momento, a acusação enumera uma série de agressões cometidas pelos arguidos, que incluem empurrões, pontapés e socos em diversas partes do corpo, nomeadamente na cabeça e quando alguns dos polícias estavam caídos no chão.

Um dos arguidos pegou numa “pedra da calçada de grandes dimensões” e atingiu um dos agentes na parte esquerda da cabeça.

Noutro momento, o MP conta que um dos elementos que constituía o grupo “arremessou uma pedra da calçada que atingiu” um dos polícias na face, que viria a cair no chão inanimado.

Todos os arguidos, em comunhão de esforços e vontades, fazendo uso da respetiva superioridade numérica, agiram com a firme motivação de afrontar e de atentar contra a integridade física e a vida dos agentes de autoridade, que ali se encontravam no exercício das suas funções policiais”.

Após as “violentas agressões” os arguidos e restantes elementos do grupo colocaram-se em fuga, “dirigindo-se para locais distintos”.

Dois dos agentes policiais foram nessa madrugada levados para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, enquanto o outro foi assistido pelos bombeiros e encaminhado para o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures.

A acusação refere que um civil foi também agredido durante o episódio de violência, tendo sido levado, nessa noite, para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Um dos polícias, que ficou 261 dias de baixa médica, sofreu, entre outras lesões, traumatismo craniano, com perda de conhecimento, e fratura do nariz, tendo sido submetido a uma intervenção cirúrgica.

Outro dos agentes esteve 180 dias de baixa médica depois de sofrer um traumatismo na face, enquanto o outro polícia ficou 21 dias com incapacidade para o trabalho.

Os cinco arguidos estão acusados, em coautoria, de dois crimes de homicídio qualificado na forma tentada e de dois crimes de ofensa à integridade física qualificada.

O MP pede ainda aos arguidos uma indemnização de 12.542 euros.