O antigo ministro da defesa Loureiro dos Santos considerou hoje como positivo o facto da Agência Segurança Nacional norte-americana incluir Portugal num segundo nível de colaboração estratégica, numa lista com 20 países.

Na sua edição de quarta-feira, o jornal espanhol El Mundo e o Público referiram que Portugal está listado com outros 19 países, quase todos europeus, num grupo com o qual os Estados Unidos mantêm «cooperação focada» no que toca a questões de inteligência, o segundo nível mais alto numa escala de quatro.

«É positivo para nós, porque Portugal é um país com meios relativamente reduzidos, nós temos necessidade de informações por isso temos um Serviço de Informações para preservar o país de hipotéticas ameaças e problemas que vínhamos a ter», disse à agência Lusa Loureiro dos Santos.

Para o General, como Portugal é membro da NATO, é natural que troque «informações entre os serviços homólogos dos países da aliança» e sendo os Estados Unidos «o país mais poderoso» da organização com o qual Portugal tem «uma relação especial», é preciso que mantenha «uma excelente relação com a potência marítima».

«Não estranho que tenhamos boas relações, que troquemos informações, eventualmente conseguimos obter algumas que os Estados Unidos não têm e cedemos. (...) Os aliados todos, e principalmente os EUA, terão informações que nos interessam e fornecem-nos», sublinhou.

Apesar da cooperação, Loureiro dos Santos adverte que «tudo tem limites», uma vez que os países «são entidades próprias» e têm como missão «defender o interesse nacional», daí que possam existir «informações que afetam» o interesse nacional português, «mas que interessam aos Estados Unidos» e nessa situação, sublinha, «não deve existir troca de informações».

Opinião semelhante tem também o jornalista José Vegar, autor de um livro sobre os serviços de informações, considerando que é «muito importante» para Portugal estar «num nível alto de cooperação com aquilo que se chama os "major players" dos principais serviços do mundo».

«É vital para Portugal ter um bom nível de cooperação e confiança com os serviços americanos. (...) A cooperação é fundamental, a questão dos dados é fundamental¿, frisou, sublinhando que o país deve estar «contente por estar no nível dois e fazer todos os possíveis para o reforçar e chegar ao nível um».

Para José Vegar, Portugal pode estar «pontualmente no nível um em certas situações», nomeadamente nas questões que envolvam a África lusófona, ou o Magrebe, e, embora reconheça que o país «não dispõe de grandes serviços, nem muito ativos no terreno», considera que os serviços de informação portugueses podem ter capacidade para proporcionar «boas informações e criar círculos privilegiados» nesses casos.

José Vegar considera ainda que desde 1997 é mais complicado aos serviços de informação norte-americanos fazerem o seu trabalho, dado que desde então as «plataformas móveis e virtuais se desenvolveram» e com a globalização «tornou-se mais complicado seguir alguém que tem dez cartões de telemóvel pré-pagos, 10 contas de e-mail, que circulam num espaço europeu livre, com low-cost», exemplificou.

Um registo secreto datado de 09 de janeiro de 2013 revela que a Agência Segurança Nacional norte-americana (NSA, na sigla em inglês) envia todos os dias milhões de registos das redes internas da Yahoo e Google para a sua sede, em Fort Meade, nos arredores de Washington.

Durante 30 dias, a NSA processou mais de 181 milhões de novos registos, que incluem desde informação sobre o emissor e destinatário de uma mensagem de correio eletrónico até dados sobre o seu conteúdo

Na edição de quarta-feira, o jornal espanhol El Mundo e o Público referiu que Portugal está entre 19 países, quase todos europeus, com quem mantém «cooperação focada» no que toca a questões de inteligência.