A fatura dos manuais escolares para alguns níveis de ensino pode este ano chegar aos 250 euros e as associações de pais alertam para o risco de ainda mais alunos começarem as aulas sem livros.

Uma família que tenha um filho a frequentar o ensino secundário (10.º, 11.º e 12.º) vai ter de gastar este ano perto de 300 euros apenas em manuais escolares, segundo um levantamento feito pela Lusa, tendo como base os livros escolhidos por algumas escolas do país.

O valor a pagar vai diminuindo consoante o nível de ensino. No primeiro ciclo, por exemplo, são precisos cerca de 68 euros.

Mas, quem tem filhos mais velhos gasta mais, uma vez que o preço e a quantidade de manuais vai aumentando: no 5.º e 6.º ano (2.º ciclo), os livros para as disciplinas principais custam à volta de 140 euros, ao passo que no 3.º ciclo (7º, 8º e 9º ano) rondam os 220 euros.

No levantamento feito pela Lusa não foram contabilizados os livros de música, educação visual, educação tecnológica ou educação física, já que estas são disciplinas em que fica ao critério do professor a adoção do livro.

«É natural que quando o ano começar haja mais crianças (do que no ano passado) sem todo o material necessário», alerta o presidente da Confederação Nacional das Associações da Pais (Confap), Jorge Ascensão.

Além dos manuais obrigatórios, os encarregados de educação têm ainda de comprar todo o restante material: borrachas, lápis, canetas, mochila e até ao equipamento de educação física.

O presidente da Confap, por exemplo, gastou perto de 250 euros com os livros da filha mais nova que agora vai para o 7.º ano. Jorge Ascensão sublinha que este valor seria mais elevado se tivesse comprado os CD e se não tivesse aproveitado uma das muitas promoções de descontos que estão a decorrer em vários estabelecimentos comerciais.

No entanto, Jorge Ascenção reconhece que nem todas as famílias têm disponibilidade neste momento para aproveitar as promoções que estão a decorrer em hipermercados, livrarias e sites online.

A Confap critica o aumento do preço dos livros escolares em 2,6% numa época de crise económica e aumento de desemprego, sublinhando que esta situação vem contribuir para «dificultar a vida das famílias portuguesas».

O presidente da Federação das Associações de Pais do Concelho de Sintra, Joaquim Ribeiro, critica os preços dos manuais, que considera «exorbitantes para a maioria das famílias». «Quem é que vai gastar dinheiro num livro, quando não tem para dar de comer às crianças? É impossível. Estamos a caminho do descalabro», alerta à Lusa Joaquim Ribeiro, referindo-se ao aumento de casos de crianças sinalizadas nas escolas por carências alimentares.

Joaquim Ribeiro, um dos fundadores da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) que se demitiu recentemente da direção daquela organização, diz ter a certeza que no início do ano haverá mais alunos que vão chegar às salas de aula sem o material necessário para aprender.