As famílias numerosas compram uma média de seis manuais escolares por filho e gastam uma média de 130 euros por criança, segundo um barómetro enviado, esta quarta-feira, ao Ministério da Educação pela associação que representa estas famílias.

Segundo o inquérito feito pela Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) entre novembro de 2015 e fevereiro deste ano a quase 500 famílias, é no terceiro ciclo do ensino básico (7.º ao 9.º anos) que são comprados mais livros escolares, entre oito e nove. 

É no 9.º e 10.º anos de escolaridade que o encargo com livros é mais pesado, com uma média de 203 e 220 euros respetivamente. Com o inquérito, a associação concluiu que o número médio de manuais reutilizados é de apenas um. No 1.º ciclo o número médio de reutilizações não chega sequer a um, enquanto nos 6.º, 7.º e 11.º anos consegue atingir a média de dois livros reutilizados.

O facto de os alunos escreverem nos próprios manuais e respetivas correções pelos professores em caneta surge como a principal razão apontada pelas famílias para não reutilizar livros no 1.º ciclo.

Alteração de conteúdos programáticos e metas curriculares surge como a segunda causa mais apontada para a não reutilização, seguida de ser o primeiro filho a frequentar a escola e do desconhecimento onde encontrar manuais para voltar a usar.

"A APFN aplaude todas as medidas que constituam uma redução do peso excessivo da educação nos orçamentos das famílias e sublinha a importância da reutilização dos manuais escolares", refere uma nota da associação, acrescentando que o reaproveitamento de recursos pode permitir que se alargue a gratuitidade de manuais escolares decidida este mês no Parlamento para o 1º ano aos restantes anos do 1º ciclo, “e mais tarde aos restantes ciclos, onde aliás se verifica o maior peso dos orçamentos familiares”.

Sobre os gastos médios com manuais, o valor mais baixo é o segundo ano, com 63,14 euros, e o ano com maiores encargos é o 10.º ano com 220,80 euros. De todas as oscilações de valor gasto em média em cada ano, o inquérito concluiu que por filho uma família gastará em média 130 euros em manuais escolares.