António Tavares é o vencedor do Prémio Literário LeYa deste ano, com o livro "O Coro dos Defuntos", foi anunciado esta terça-feira na sede daquele grupo editorial, em Alfragide, Amadora.

O escritor é vice-presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz.

Presidido por Manuel Alegre, o júri destacou, na atribuição, por unanimidade, "a construção sólida" do romance "O Coro dos Defuntos", que conquistou o galardão no valor de 100 mil euros.

"Estamos perante um romance que tem uma construção sólida, conduzindo o leitor através de uma escrita que inscreve, em paralelo, o percurso do país e o do mundo", lê-se na ata do júri.


Os jurados realçaram ainda a "versatilidade na composição da narrativa e no cruzamento de vozes e perspetivas correspondente à diversidade de personagens".

No texto da ata lê-se ainda que "um aspeto original é o interesse de uma ficção que está sempre a surpreender, integrando aspetos de crenças e visões do mundo popular que tocam o fantástico."

"O romance reanima, com conhecimentos empático e com ironia, uma ruralidade ancestral - flagrante nos ambientes e nos modos de viver, nos horizontes de crença e nos saberes empíricos, na linguagem e na imaginação mítica", escreveu o júri.


Os jurados afirmam ainda que "é sempre o plano narrativo que predomina, dado através do recurso a uma forma inovadora na apresentação da voz narrativa que alterna entre o quadro da província beirã e o mundo da emigração na Suíça e nos Estados Unidos".

O Prémio LeYa foi criado em 2008 com o objetivo de distinguir “um romance inédito escrito em português”, segundo o regulamento.

Além de Manuel Alegre, o júri foi constituído pelos escritores Nuno Júdice, Pepetela e José Castello, o professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra José Carlos Seabra Pereira, o reitor do Instituto Superior Politécnico e Universitário de Maputo, Lourenço do Rosário, e a professora da Universidade de São Paulo Rita Chaves.

O júri tinha-se reunido na segunda-feira e voltou a reunir-se hoje de manhã para deliberar sobre o vencedor de 2015.

“O rasto do jaguar”, do brasileiro Murilo Carvalho, foi o primeiro vencedor, em 2008, no ano seguinte o romance vencedor foi “O olho de Hertzog”, do moçambicano João Paulo Borges Coelho.

Em 2010, dada a falta de qualidade dos candidatos, não foi entregue o galardão, mas, em 2011, foi distinguida a obra “O teu rosto será o último”, de João Ricardo Pedro, que este ano integra a lista de finalistas do Prémio Sinbad-Città de Bari, na categoria de narrativa estrangeira, em Itália.

“Debaixo de algum céu”, de Nuno Camarneiro, foi o vencedor em 2012, e, em 2013, o prémio foi atribuído a “Uma outra voz”, de Gabriela Ruivo Trindade.

“O meu irmão”, de Afonso Reis Cabral, foi o vencedor em 2014.