A comunidade ucraniana em Lisboa voltou a juntar-se esta segunda-feira contra a «invasão da Rússia» num protesto que se iniciou frente à embaixada russa mas que terminou numa capela e uma «oração pela paz» devido a impedimento legal.

«O pedido para a manifestação foi feito sábado mas devido ao Carnaval os serviços da câmara não tiveram tempo», explicou à Lusa Pavlo Sadokha, presidente da associação dos ucranianos em Portugal.

Após um pedido do comandante da força policial presente frente à representação da Rússia, os manifestantes desfilaram em direção à Capelina ucraniana do rito bizantino católico, nas proximidades, onde foi celebrada uma «oração pela paz», mas sem prescindirem de entoar previamente o seu hino nacional.

«Putin = Hitler», dizia um cartaz manchado a tinta vermelha com o rosto dos dois visados. «Queremos uma Ucrânia unida», «Putin sai da Crimeia» e «Guerra, não!», foram outras frases exibidas pelos cerca de 100 manifestantes, que também erguiam bandeiras do seu país, da União Europeia (UE) e de Portugal.

«O que está a acontecer é uma agressão militar que é proibida por todas as normas do direito internacional. Esta agressão já começou antes de as autoridades russas a terem declarado oficialmente, porque as tropas da Federação da Rússia [estacionadas na Crimeia] deixaram os seus locais de destacamento há alguns dias», referiu à Lusa Vladislav Martinyuk, 22 anos.

«E de acordo com a legislação ucraniana e da Federação russa só têm direito a permanecer nesses locais, estritamente definidos pela lei», adianta.

Estudante de Direito internacional na faculdade de Direito em Lisboa, onde frequenta o 2º ano de mestrado, Martinyuk opta por uma interpretação jurídica da atual crise.

«A Rússia está a violar todas as normas do direito internacional. E neste caso, a Ucrânia tem aplicado um princípio do direito internacional, o princípio de boa-fé de interpretação dos tratados internacionais...». Para o estudante ucraniano, a comunidade internacional «deve reagir ainda mais», após «alguns dos países mais poderosos do mundo» já terem criticado a «agressão» da Rússia.

«E está a suceder não só na Crimeia, porque já foram observadas tentativas de tomada de administrações regionais nas regiões orientais da Ucrânia e essas tentativas foram feitas não por ucranianos que simpatizam com Putin mas por cidadãos russos que foram trazidos das regiões mais perto da fronteira com a Ucrânia...», garante.

Frente à capela, prosseguem os protestos. «Mãos fora da Ucrânia», «Putin somos irmãos, não queremos guerra», suplicavam outras palavras de ordem ecoadas pelos ucranianos imigrados ou impressas em pedaços de cartão colocados frente às muitas câmaras de vídeo.

Sempre presente, Pavlo Sadokha mobiliza e organiza a concentração.

«Todas essas informações sobre as perseguições e violência pelos nacionalistas à etnia russa que vive na Crimeia são mentira. Hoje falámos com amigos que estão na Crimeia, e disseram-nos que não houve nenhuma perseguição ou violência contra eles. Esta história foi combinada para o Kremlin entrar na Ucrânia e tomar conta da Ucrânia», garante.

Para o líder da comunidade ucraniana, no seu país há «lugar para todas as etnias», numa revolução que assegura não possuir uma vertente nacionalista ou religiosa.

«É contra o regime corrupto de Ianukovitch - e temos muita pena que a Rússia, um país tão grande, defenda criminosos na Ucrânia -, que provocou a morte de 100 pessoas, que desviou dinheiro e cometeu outros crimes contra o povo ucraniano», frisou.