Notícia atualizada às 11:31

A Comissão de Reformados e Pensionistas do Metropolitano de Lisboa informou que se vai reunir esta quarta-feira com a administração da empresa, depois de um grupo de antigos trabalhadores ter invadido as instalações para reocupar os seus postos de trabalho.

Cerca de duas centenas de reformados e pensionistas do Metropolitano de Lisboa invadiram hoje pacificamente a sede da empresa e ocuparam postos de trabalho nos vários pisos do edifício.

Segundo disse à agência Lusa um dos reformados que se encontra no exterior do edifício, pelas 9:30, os pensionistas e reformados, que vão sofrer cortes nos complementos de reforma, começaram a subir os vários pisos e sentaram-se às secretárias.

A polícia chegou ao local pelas 10:00.

Em declarações à Lusa, Pedro Vazão de Almeida, da comissão de reformados e pensionistas, disse que os antigos trabalhadores concentrados «não querem violência», adiantando que se trata de «uma ação simbólica».

«Trata-se de um instrumento mediático para sensibilizar a opinião pública para a situação dos reformados e pensionistas do metropolitano. Temos trabalhadores que já não têm dinheiro para pagar o lar de idosos onde vivem, pessoas que não têm dinheiro para pagar a renda da casa, os medicamentos e para comer», explicou.

De acordo com este antigo trabalhador do Metropolitano, há situações «completamente dramáticas», salientando tratar-se de uma «situação de violência inaudita, de extrema sensibilidade social».

Segundo Pedro Vazão de Almeida, os complementos de pensão foram instituídos em acordo de empresa em 1971 e «sempre foram incentivados pelo Governo e própria empresa, para aliciar os empregados a aceitar a pré-reforma e sair da empresa», o que foi esse o seu caso.

«O que estamos aqui a fazer hoje é contar às pessoas, sem violência, mas com firmeza, o que se passa com os pensionista e reformados do metro», sublinhou.

Também Manuel Lino, de 62 anos, que entrou em pré-reforma aos 55, disse à Lusa que se dirigiu para o local para reclamar o posto de trabalho, já que «vão avançar com os cortes dos complementos de pensão».

«Não consigo viver com estes cortes. Com o corte que vou levar passo a receber 700 euros mensais que não chegam para o empréstimo da casa, do carro, e outros bens que entretanto adquiri quando entrei em situação de pré-reforma aos 55 anos a contar com complemento. Não queremos confusão, só aquilo que é nosso por direito», frisou.

Fonte dos Recursos Humanos da empresa anunciou que os trabalhadores vão começar a receber uma carta a confirmar os cortes que vão começar a ser efetuados a partir deste mês.

Diamantino Lopes, da Comissão de Reformados e Pensionistas, disse anteriormente à Lusa que os reformados e pensionistas tencionavam apresentar-se ao serviço e pedir à administração da empresa que os distribua pelos vários postos de trabalho.

«Em causa está a aprovação pelo Governo do Orçamento do Estado em que é cortado o complemento de reforma (...). Em termos brutos, estamos a falar de cortes incomportáveis entre os 40% e os 60%», explicou à Lusa Diamantino Lopes.

O membro da Comissão dos Reformados e Pensionistas lembrou que o conselho de administração da empresa acordou com os trabalhadores que se reformaram antecipadamente que lhes pagaria um complemento de reforma que estava previsto no Acordo de Empresa.

O representante da Comissão de Reformados e Pensionistas do Metropolitano de Lisboa adiantou que, numa reunião no passado dia três de janeiro, a administração da empresa disse que ia dar seguimento ao cumprimento da lei do Orçamento do Estado e que este mês o complemento de reforma já não ia ser pago.

«Por causa desta situação, os 1.400 reformados e pensionistas decidiram apresentar-se ao serviço e ocupar os postos de trabalho. Estamos a falar de ocupar simbolicamente porque temos consciência de que só o tribunal pode decidir», declarou.