A menina que morreu na sequência da queda do 21º andar da Torre de São Rafael, no Parque das Nações, em Lisboa, terá ficado sozinha em casa ao longo de três horas, revelou a Procuradoria-Geral de Lisboa em comunicado.

No dia 19 de Fevereiro de 2016, cerca das 00:03, os progenitores dirigiram-se ao Casino de Lisboa para jogarem, local onde permaneceram durante três horas, tendo deixado a filha de cinco anos a dormir, sozinha, em casa. A menor terá acordado e em circunstâncias não conhecidas, ter-se-à dirigido à varanda, escalado a mesma e caído de uma altura de cerca de 80 metros."

Os pais da criança, de nacionalidade chinesa, revelaram, durante o interrogatório, que se encontravam no Casino de Lisboa quando o acidente aconteceu, tendo sido indiciados por "crime de exposição ou abandono agravado pelo resultado de morte".

"No dia 20 de Fevereiro de 2016, na sequência da constituição de arguidos e da detenção fora de flagrante delito, foram os progenitores da criança, ambos de nacionalidade chinesa, presentes a primeiro interrogatório judicial, tendo-lhes sido aplicada a medida de coacção de apresentações semanais, aos sábados, no órgão de polícia criminal da sua residência e proibição de se ausentarem para o estrangeiro, devendo para o efeito entregar os respectivos passaportes."

"O processo está em segredo de justiça", acrescenta o comunicado.

A menina de cinco anos caiu, na passada sexta-feira, do 21º andar da Torre de São Rafael, quando estava sozinha no apartamento. Cerca das 3:10, os pais chegaram a casa e deram por falta da filha, tendo alertado de imediato as autoridades.

Para o local deslocaram-se elementos da Polícia de Segurança Pública e uma viatura do Instituto Nacional de Emergência Médica.

Os pais foram interrogados pela Polícia Judiciária, tendo inicialmente ficado detidos e indiciados por crime de exposição ou abandono agravado. O homem pernoitou no Estabelecimento Prisional anexo às instalações da Polícia Judiciária e a mulher foi levada para o Estabelecimento Prisional de Tires.

Posteriormente, o casal foi libertado, mas com proibição de se ausentar do país e com obrigatoriedade de apresentações periódicas numa esquadra da PSP. Sendo o casal de nacionalidade chinesa, o perigo de fuga terá sido, certamente, um fator tido em conta na hora de determinar as medidas de coação.

Também o Ministério Público instaurou um inquérito no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, para apurar as circunstâncias da queda mortal.