O prédio nº.64 da Alameda D.Afonso Henriques, em Lisboa, propriedade do Hospital Rovisco Pais, está em «total degradação e corre o risco de ruir», avisam os moradores, que ameaçam agora recorrer a Tribunal.

«Ou fazem alguma coisa rapidamente ou avançamos com esta situação para os meios judiciais», avisaram esta terça-feira os moradores deste prédio que há mais de 40 anos tem vindo a degradar-se, chegando ao estado em que está hoje que, dizem, «pode ruir a qualquer momento e provocar uma desgraça».

Fissuras nas paredes

Quem entra neste prédio nem se apercebe do que realmente se passa. A frente principal está em condições e a entrada foi sujeita recentemente a obras, mas ao subir as escadas e chegando ao 2º andar, as fissuras nas paredes dos corredores começam a denunciar a degradação que se observa nas traseiras do edifício e dentro das casas.

Tecto caído, ferros soltos, janelas que não fecham e vidros partidos, são os mais graves problemas da casa de Maria de Fátima, moradora do 3º direito há cerca de dez anos, que confessou ter medo que o prédio caia a qualquer momento.

Antiga senhoria morreu e deu prédio ao hospital

Um dos inquilinos deste prédio, Jorge Santos Silva explicou que esta situação dura desde que a antiga senhoria morreu e entregou a propriedade do prédio ao Hospital Rovisco Pais.

A situação agrava-se quando Jorge Santos acusa o senhorio de ter permitido que o apartamento do 2º. direito e as duas casas do 5º andar servissem para guardar «materiais de ferro velho».

«Nós não somos nenhum depósito de ferro velho!», afirmou Jorge Santos, sublinhando que existem seis apartamentos vagos, que poderiam ser alugados a pessoas dispostas a pagar para ter onde morar.

Várias queixas apresentadas

Os moradores já apresentaram várias queixas, quer ao Ministério da Saúde, quer à Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), a quem está entregue a administração do edifício, quer à Câmara Municipal de Lisboa, mas no entanto «ninguém faz rigorosamente nada».

«A primeira vez que reclamei, a Câmara era presidida por Carmona Rodrigues e a vereadora o que me disse na altura era que o senhorio ia ser intimado, mas até agora nada», explicou Jorge Santos.

«Isto chegou a um ponto insustentável. O que pedimos é que, pelo menos, venha aqui algum responsável para ver o que se passa», acrescentou.

Imóvel vai ser vendido

Em declarações à Lusa, fonte da administração regional de saúde do Centro, onde se encontra o agora Centro de Medicina e Reabilitação Rovisco Pais, informou que «existe um processo que já está concluído para venda do imóvel pela Direcção-Geral do Tesouro e Finanças».

Relativamente à queixa dos inquilinos, a mesma fonte revela que «no que respeita à manutenção do edifício, têm sido cumpridas todas as propostas feitas pela Associação Lisbonense de Proprietários».

Questionado sobre esta situação, o presidente da ALP, Monteiro de Barros, confirmou a informação de que o edifício «está neste momento à venda», acrescentando que o mesmo pode ser adquirido pelos próprios inquilinos, «os mais interessados, para fazerem as obras que desejam».

Monteiro de Barros admite ter conhecimento das queixas que foram feitas, mas relativamente a obras no prédio, o presidente revelou que «o proprietário do edifício é que tem o capital e decide o que deve ser feito», sublinhando que a ALP é «apenas representante».