A Associação Portuguesa de Técnicos de Segurança e Proteção Civil (ASPROCIVIL) acusou esta segunda-feira autarquias e empresas de negligenciarem o planeamento, contribuindo para agravar as consequências do mau tempo, como as inundações.

Em declarações à Lusa, o presidente da ASPROCIVIL, Ricardo Ribeiro, responsabilizou as câmaras municipais, mas também empresas como a EDP ou as concessionárias das autoestradas pelos problemas «gravíssimos» que resultam das condições meteorológicas adversas.

Entidades como as empresas públicas ou privadas que prestam serviços públicos como as empresas de energia, gás, telecomunicações, estradas e autoestradas, bem como câmaras municipais e serviços municipalizados «têm de adotar comportamentos de prevenção que, por um lado, promovam medidas de mitigação do risco (...) mas também que facilitem a reposição da normalidade», apelou.

O responsável da ASPROCIVIL recomendou que se reforce a mobilização preventiva e o «pré-posicionamento» de meios humanos e materiais.

«Os meios têm de estar previamente mobilizados porque o Instituto do Mar e da Atmosfera (IPMA) tem vindo a alertar com os seus avisos para esta realidade», sublinhou, exemplificando: «se há previsão de mau tempo e chuva forte é previsível que haja comunidades sem luz, então vamos pré-posicionar geradores para um local estratégico que possam vir a responder às necessidades».

Afirmou ainda que «em Portugal isso não se faz e por isso é que, muitas vezes, a reposição da normalidade demora dias».

Esta segunda-feira, o vereador da Proteção Civil da Câmara de Lisboa, Carlos Castro, acusou o IPMA de não ter previsto tanta chuva, acrescentando que a cidade se teve de preparar «à última da hora».

Por seu lado, Ricardo Ribeiro criticou também as câmaras que «autorizam loteamentos com mais mil ou dois mil fogos» mantendo sempre a mesma rede de águas pluviais e descuram a limpeza das caleiras e das ribeiras, onde se encontra «todo o tipo de lixo», fazendo com que «uma chuvada deste género resulte em problemas gravíssimos para a sociedade envolvente».

O dirigente da ASPROCIVIL admitiu ainda que não é possível evitar completamente as consequências do mau tempo, mas «é possível mitigá-las».

«Se não tomarmos medidas de prevenção a nível do planeamento urbanístico e também ao nível da limpeza preventiva de toda a rede e de todos os equipamentos que condicionam e transportam água da chuva, nós vamos ver este problema todos os anos», sublinhou, avisando para o risco de agravamento dos problemas se chover ainda mais.