Cerca de 30 pessoas concentraram-se este sábado à tarde junto à Universidade Lusófona, em Lisboa, num protesto contra as praxes académicas.

Empunhando cartazes onde podem ler-se frases como «Temos direito a não ser humilhados», «Educação para uma vida de servidão» e «Integração é diferente de submissão», os participantes no protesto, em larga maioria jovens mantiveram-se em silêncio.

Este protesto serve, de acordo com uma das promotoras, como «um alerta à sociedade para um problema que existe dentro das universidades».

«Estamos contra qualquer tipo de praxe que envolva princípios de hierarquia, submissão e obediência, sem reclamação. No fundo, esse é o problema da praxe académica», afirmou Diana Luís, estudante da Universidade de Aveiro, em declarações aos jornalistas.

Convocar o protesto para a porta da Universidade Lusófona, no Campo Grande, não foi casual.

«É simbólico, pelo que se passou no Meco, que se suspeita que esteja relacionado com praxes académicas, e também para chamar a atenção para todas as vítimas que houve antes desta tragédia», referiu Diana Luís.

Seis estudantes da Universidade Lusófona morreram no dia 15 de dezembro, na praia do Moinho de Baixo. Os seis, tal como um outro que sobreviveu, terão sido surpreendidos por uma onda. Até hoje não foram esclarecidas as circunstâncias da morte dos estudantes. O caso está a ser investigado pelo Ministério Público.

O protesto foi convocado através da rede social Facebook e este sábado cerca de 300 pessoas tinham confirmado a sua presença.

Porém, apenas cerca de 30 manifestantes que apareceram no local, mas Diana Luís disse não estar surpreendida.

«Eu entendo que a maioria dos estudantes esteja a favor das praxes académicas, portanto não esperávamos muita gente, é um facto», afirmou.

Diana Luís faz parte de um movimento anti-praxe estudantil formado recentemente, «para colmatar a lacuna que o Movimento Anti Tradição Académica (MATA) e os Antípodas deixaram, quando os seus elementos, naturalmente passando para a vida profissional, os deixaram cair».

Este movimento, explicou, junta estudantes de várias instituições de todo o país.

No protesto participou também a deputada do Bloco de Esquerda (BE) Mariana Mortágua, em solidariedade com uma ação «que contribui para alterar esta cultura da praxe».

«É uma luta antiga do BE», disse, esclarecendo que «nenhum projeto do BE é feito para proibir a praxe».

A deputada explicou que o partido defende «que se criem alternativas à praxe enquanto forma de integração».

Mariana Mortágua lembrou que o Bloco de Esquerda apresentou recentemente no parlamento um projeto de resolução «que recuperava propostas» que o partido já tinha feito.

Entre as propostas antigas estão «a criação de gabinetes de apoio psicológico e um levantamento sobre a prática de praxes».

«Este projeto de resolução tem uma inovação: os reitores e as universidades não podem desresponsabilizar-se daquilo que se passa nas universidades em termos de integração», afirmou.

Estudantes na Praça do Comércio a favor das praxes

erca de 70 jovens estudantes, usando trajes académicos, estão concentrados na Praça do Comércio, em Lisboa, para «demonstrar» que as praxes não são tradições negativas.

Os jovens universitários criticam alguma comunicação social pela forma como tem tratado o assunto das praxes, depois da morte de seis estudantes da Universidade Lusófona na praia do Meco, em Dezembro, e dizem que por isso têm sido alvo de ameaças quando andam trajados na rua.

«O que nós queremos demonstrar é que o ambiente é de união e que não há qualquer tipo de praxe abusiva, violenta ou de cariz sexual», disse à Lusa Frederico Campos, admitindo, porém, que, como em qualquer situação, possa haver exageros.