André Couto, o autarca de 36 anos que dirige a Junta de Freguesia de Campolide, em Lisboa, tinha dois problemas: precisava de mudar os comportamentos cívicos relacionados com o lixo e via definhar o comércio tradicional. Vai daí, resolveu as questões com o projeto "Pago em Lixo", que entra em vigor esta quinta-feira.

Na prática, a recolha e separação de lixo na freguesia de Campolide é transformada em moeda de troca para compras no comércio tradicional.

Um quilograma de lixo reciclável vai ser trocado por duas notas “Lixo”, uma espécie de moeda criada pela Junta de Freguesia. Cada nota corresponde a um euro, que apenas pode ser utilizado no comércio tradicional local.

Os comerciantes são, depois, ressarcidos pela Junta de Freguesia do valor das compras efetuadas pelos habitantes da freguesia com o recurso aos “lixos”.

"Uma ideia sexy"

Contas feitas, meio quilo de lixo vale um euro. O que o autarca socialista e jurista considera ser “uma ideia sexy”, porque pretende “cativar as pessoas para uma mudança de comportamentos dentro de casa, para a separação do lixo, para a reciclagem, premiando-as”.

Há aqui um benefício económico direto de recompensa deste comportamento e, por outro lado, envolvendo também o comércio tradicional”, afirmou o autarca em declarações à Agência LUSA.

O projeto “Pago em Lixo” destina-se à população residente na freguesia lisboeta de Campolide, com principal enfoque nas crianças, uma vez que representam o futuro e têm maior capacidade para influenciar a mudança de comportamentos dentro de casa.

O projeto “Pago em Lixo” tem já parceria com 70 estabelecimentos de comércio tradicional da freguesia de Campolide, nomeadamente cafés, restaurantes, cabeleireiros, peixarias, pastelarias e farmácias, ambicionando chegar à escala das centenas de comerciantes envolvidos.

Dez quilos de lixo por pessoa 

Nesta fase inicial, a Junta de Freguesia de Campolide investiu cerca de 15 mil euros no projeto, referiu André Couto, adiantando que a autarquia está preparada, através de uma análise constante da relação custo-benefício, para investir mais.

Basicamente, a freguesia, a cidade e o país agradecem, porque vamos tropeçar menos em lixo e vamos viver numa comunidade mais limpa. E o bolso de cada pessoa é também recompensado pela introdução ou pela continuidade desta boa prática”, frisou o autarca, referindo que o projeto não tem prazo definido para terminar.

O “Pago em Lixo” vai ter ações pontuais em diversos pontos da freguesia. No próximo sábado vai haver troca de lixo no Alto de Campolide, das 10:00 às 11:30, e no Bairro da Serafina, das 12:00 às 13:00.

Existe um limite de lixo para a troca de dez quilogramas por dia e por cada residente na freguesia de Campolide.

De acordo com o presidente da Junta de Freguesia de Campolide, o projeto foca-se na troca de resíduos urbanos, desde vidro, papel, embalagens e pilhas recicláveis, englobando o lixo indiferenciado, com exceção do lixo doméstico.

Para André Couto, o “Pago em Lixo” é “um projeto inédito em Portugal”, que começou em Campolide, mas que está disponível para ser replicado por outras freguesias da cidade de Lisboa e do país.